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Pesquisadores desenvolvem sistema para detectar violência usando inteligência artificial

Foto: Reprodução/UFC

Uma solução em estratégia de videomonitoramento tem sido desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com universidades da Coreia do Sul e do Irã, ambos do Continente Asiático. Por meio de inteligência artificial, o sistema é treinado para identificar situações de violência e a presença de objetos suspeitos. Utilizando a Internet das Coisas Industrial (lloT), o sistema armazena, processa, analisa e transmite as informações em tempo real, incluindo reconhecimento facial, placas de veículos e outras fontes de interesse relevante para as forças policiais.

Os pesquisadores apontam que o aumento significativo na implantação de câmeras de vigilância, tanto no setor público quanto no privado, impossibilita o monitoramento automático das imagens, já que a detecção de determinada atividade como normal ou anormal é difícil de ser avaliada inteligentemente. Assim, a atividade ainda requer o envolvimento do ser humano e as suas competências de gestão e monitorização para o processo ser eficiente. Um trabalho que, devido ao volume crescente de vídeos a monitorar, torna-se tedioso e demorado para as autoridades de segurança.

O professor Victor Hugo C. de Albuquerque, do Departamento de Engenharia de Teleinformática da UFC, que participa da pesquisa, afirma que isso permite uma atuação mais rápida e eficaz por parte dos policiais que estão na linha de frente. Ele lembra que inicialmente, o projeto foi pensado para ser aplicado na área de segurança pública como uma ferramenta auxiliar e complementar aos métodos existentes. O professor destaca que o novo método não apenas reconhece infratores, previne crimes e auxilia na resolução de casos, mas também pode ser uma ferramenta estratégica para gestores de segurança pública tomarem decisões mais embasadas.

Segundo informações do Governo do Estado, atualmente, mais de 4.040 câmeras fazem parte do sistema de videomonitoramento do Ceará, que conta com 71 centrais distribuídas por todo o território cearense e tem sido uma das principais medidas na prevenção contra crimes e no auxílio na identificação de delitos. A parceria foi fechada entre a universidade cearense e pesquisadores das universidades de Sejong e Sungkyunkwan, ambas em Seul, na Coreia do Sul, e da Universidade de Teerã, no Irã.

TREINO

Para treinar o dispositivo, os pesquisadores utilizaram centenas de vídeos do YouTube e cenas de disputas de hóquei, coletadas nos campos da National Hockey League. Isso foi feito, segundo os pesquisadores, devido às limitações de bases de dados. O objetivo inicial era validar o modelo computacional em diferentes situações. Como o hóquei apresenta diferentes tipos de movimentos, com aglomerado de pessoas e muitas ações executadas em um único momento, foi selecionado por ser um caso crítico, isto é, se nessa situação a metodologia proposta funcionasse, em outras, seria muito mais fácil de ela ser executada.

Segundo Victor Hugo C. de Albuquerque, o sistema foi testado e validado em bases de dados públicas, como também analisado o consumo de hardware quando os algoritmos são embarcados. O próximo passo será testar todo o sistema em campo. Contudo, para isso, os pesquisadores necessitam de um parceiro que possa e tenha autorização de colocar câmeras na cidade. “Podem ser as próprias câmeras do SPIA. Daí, analisaremos a performance do sistema em imagens e em tempo real”, informa Victor Hugo.

Victor Hugo informa haver interesse no patenteamento do sistema e que já se iniciaram as movimentações nesse sentido. “Entretanto, para garantir os direitos autorais, resolvemos publicá-lo. Obviamente, dependendo do interesse de um potencial parceiro, podemos negociar a patente, como também a comercialização do mesmo”, pondera.