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Governo só quer começar a discutir eleições municipais no início de 2024, diz Catanho

Foto: Bia Medeiros/Alece

Segundo o secretário de Articulação Política (Seap) do Ceará, Waldemir Catanho, as tratativas em relação às eleições municipais do próximo ano só serão definidas a partir do início de 2024. A informação foi anunciada nesta segunda-feira, 10, em entrevista à Assembleia Legislativa do Estado (Alece). De acordo com o titular, “ainda é cedo demais para antecipar essa discussão”.

Na opinião de Catanho, o atual momento político do Ceará é desafiador e não recomendável para que discussões “polêmicas” sejam precipitadas, a fim de evitar a criação de novos problemas. O contexto acontece a partir da queda de receita causada, segundo o secretário, pela perda de alíquotas durante o governo Bolsonaro. Com isso, os projetos do Estado, de continuidade da gestão anterior, foram impactados negativamente.

“Estamos trabalhando para fazer essa discussão para um momento mais adequado, que seria início do ano que vem. Evidente que estamos acompanhando todos esses movimentos, essa disputa no PDT, a própria discussão interna do PT. Não é o momento de se buscar definição para essas questões, que são polêmicas”, apontou o secretário.

Outro ponto colocado pelo secretário é o fato da disputa pela Prefeitura de Fortaleza, alvo de impasse interno entre o PDT, partido do atual prefeito, José Sarto, não é isolado, o que gera mais trabalho para a articulação política do Estado. “Não é só Fortaleza. Se fosse só a Capital, seria uma maravilha. Mas temos Iguatu, Sobral, Tauá, Juazeiro do Norte… São 184 municípios e cada um com uma realidade política própria. Saímos de uma eleição disputada, embora com vitória no primeiro turno. Dos 184 municípios, tivemos o apoio de cerca de 115. Cerca de 70 não nos apoiaram. Existe uma efervescência política criada a partir da disputa eleitoral do ano passado que a gente precisa administrar”, explicou o titular da Seap.

A articulação e as negociações, conforme observou o secretário, são de grande importância para a concretização da eleição de candidatos, projetos políticos e programas administrativos. “A articulação é feita cotidianamente, ainda que se concentre no tempo no período eleitoral. Não é algo feito do dia para a noite”, reiterou.

De acordo com o Catanho, a base política do Ceará conta com cerca de 36 deputados estaduais, sendo, muitos desses, vinculados a colégios eleitorais de determinados municípios. “Alguns têm vinculações com mais de uma dezena de municípios. Como vamos antecipar uma discussão dessas?”, disse o titular. Para o Governo, quanto mais para frente, ‘melhor’, disse, ao frisar que as questões a serem discutidas são complexas. O papel da Secretaria de Articulação Política do Estado é fazer o “meio campo” entre gestores municipais, parlamentares, movimentos sociais, articulando as contradições e interesses de cada um dos atores envolvidos no jogo político – interesses estes que devem ser levados em consideração pelo Governo do Ceará