“No meu governo, todo mundo vai namorar”, disse o presidente da República, ainda em campanha eleitoral. Como poderia ser o nome do programa governamental? Meu namorado, ou Minha namorada, minha vida, ou Meu amor, minha vida. A partir dessa proposta humorada, fala-se na internet, em tom de brincadeira, do Ministério do Namoro, que por sinal ainda não foi instalado, embora vários outros inéditos na história do Brasil tenham sido prometidos e já funcionam: falta o titular da pasta, a aprovação de sua criação, a equipe ministerial de trabalho, as secretarias, os secretários, os planos traçados, as metas a alcançar.
Poderiam começar pela seguinte pesquisa: quantos brasileiros em idade de namorar estão solteiros e desejam encontrar um par? O Ministério poderia consultar conselheiros amorosos e lançar, talvez, o Manual do Namoro Moderno. O padroeiro desse Ministério poderia ser santo Antônio.
O poeta diz: “Todas as cartas de amor são ridículas”. Hoje diria, todas as mensagens de zap de amor são ridículas, patéticas. Quanto já não se perdeu, com a prática em desuso, de belas frases, belas elaborações textuais de cartas trocadas entre apaixonados? Quantas dessas trocas, poderiam formar verdadeiros romances epistolares, compondo assim, belíssimas obras literárias?
Namoro virtual, namoro de aluguel. Muito em breve, com o florescimento da Inteligência Artificial, que promete dominar o mundo, teremos o namoro artificial. A pessoa desejosa de carinho e atenção, poderá se dirigir a um computador e teclar, expondo como foi seu dia, o que planeja para o dia seguinte, suas preferências, seus sentimentos, seus segredos, passando a namorar com uma máquina, com um programa, com uma invenção humana que agora coloca em risco a inteligência humana.
Um recente acontecimento ilustra os rumos que a tecnologia está dando para os seres humanos. Convidada para uma festa e impossibilitada de comparecer, uma mulher resolveu marcar presença, mas presença digital, através de uma espécie de chamada de vídeo. Colocaram o dispositivo eletrônico no formato de um corpo e ela esteve passeando pelo local da festa. Se a moda pega, muitos ausentes se farão presentes dessa forma. Sem o olho no olho, sem o contato físico, sem a sensibilidade, sem o abraço apertado e aconchegante.
Em Fortaleza, de acordo com o último censo, o número de mulheres é consideravelmente superior ao de homens. E no Brasil, conforme a PNAD Contínua de 2021, são quase 5 milhões a mais de mulheres. Os homens são minoria, o que dificulta o relacionamento hétero, para tristeza dos que desejam uma companhia desse tipo.
A proposta política talvez tenha um fundo verdadeiro. Todos merecem compartilhar a vida, expressar sentimentos, dividir momentos. Deve-se, então, esperar o cumprimento desse plano de governo?
