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Pacto da sociedade civil propõe acabar com a fome até 2030

Com objetivo de erradicar a fome no Brasil até 2030 e reduzir o desperdício de alimentos no Brasil, o Pacto Contra a Fome foi lançado na última terça-feira, 23. Iniciativa da sociedade civil, o movimento suprapartidário e multissetorial reúne lideranças do governo, academia, empresariado, entidades não governamentais e religiosas, entre outros. 

Segundo os organizadores, a atuação do movimento será feita por meio da articulação, da inteligência estratégica e do reconhecimento de boas práticas para construir pontes entre a sociedade civil organizada, o setor privado e o governo. Para Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e Orçamento, também presente no evento, a parceria entre os setores, dentro do Pacto Contra a Fome, é fundamental para erradicar a miséria e a fome no país.

“Quando nós falamos de fome, não podemos esquecer que um Brasil que alimenta o mundo desperdiça quase oito vezes o necessário para matar a fome, então nós temos que garantir uma rede junto com a sociedade civil organizada e o terceiro setor de cultura de conscientização em relação a isso. […] Da mão que planta semente até a mão que consome, passando pelo transporte e pela distribuição desses alimentos, nós estamos falando de alimentos desperdiçados, de perdas que seriam suficientes para alimentar oito meses de fome no Brasil”, avalia a ministra.

De acordo com dados do Pacto, atualmente, 33,1 milhões de brasileiros passam fome no Brasil. Deste total, 56% estão no Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco e Maranhão. Em fala durante o evento, o titular do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias (PT), afirmou que, ainda este ano, o governo pretende retirar cerca de 8,5 milhões de famílias – aproximadamente 20 milhões de pessoas, da extrema pobreza e, assim, da situação de fome.

CEARÁ

Divulgado em dezembro de 2022, um estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) revelou que, durante a pandemia de covid-19, a insegurança alimentar (IA) grave – fome -, atingiu 15,5% da população brasileira, afetando em proporção maior as famílias em todos os Estados do Norte e do Nordeste. No Ceará, 26,3% dos domicílios cearenses tinham moradores vivendo em IA grave. Dessa maneira, o Estado cearense ocupou o oitavo lugar no ranking de estados com maior proporção de domicílios com moradores vivendo em situação de fome do Brasil durante a pandemia. 

O documento também revela que, no mesmo período, apenas 18,2% dos domicílios cearenses tinham moradores de domicílios particulares vivendo em situação de segurança alimentar (SA) – percentual menor que o da Região Nordeste (31,9%). A nível nacional, 41,3% da população brasileira viviam em domicílios com condição de SA no Brasil.

PROGRAMA MAIS NUTRIÇÃO

Foto: Divulgação/SPS

Iniciativa do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Proteção Social (SPS), Secretaria do Desenvolvimento Agrário, Ceasa e Instituto Agropolos, o Mais Nutrição no Ceará ultrapassou a marca de três milhões de quilos de alimentos distribuídos no Estado. O projeto visa a captação, processamento e doação de alimentos saudáveis para pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social.

De acordo com a SPS, a operacionalização do Mais Nutrição ocorre em dois bancos de alimentos (in Natura), uma fábrica de mix de legumes e duas fábricas de polpas de frutas. São quase 30 mil pessoas beneficiadas com sopas e polpas de frutas provenientes de frutas e hortaliças, a partir do trabalho de 134 entidades comunitárias e cozinhas sociais.

“As frutas e legumes são selecionados criteriosamente, higienizados, processados e distribuídos às entidades comunitárias e cozinhas sociais conveniadas com o Estado”, explica a coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional da SPS, Regina Praciano.

A partir dos alimentos excedentes, os itens são processados e distribuídos diariamente às entidades beneficiadas. Com a ação, a redução da fome para famílias nos municípios de Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha se aproxima da realidade.