O Ceará foi quem deu o pontapé inicial para a Caravana Participativa do Plano Nacional da Juventude Negra Viva, programa do Ministério da Igualdade Racial. O lançamento contou com a presença da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o diretor de Políticas de Combate e Superação do Racismo, Yuri Silva, a vice-governadora do Ceará, Jade Romero, a Secretária do Estado da Igualdade Racial, Zelma Madeira e outras autoridades locais.
A proposta do plano é reduzir as mortes entre jovens negros no Brasil. Passando pelos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, a Caravana ouvirá a juventude negra, os movimentos sociais, reavaliando o que já existia do projeto, criado em 2013, no Governo Dilma. Durante a coletiva de imprensa, a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, falou sobre levar cultura, educação e conseguir com que o jovem negro permaneça no plano, evitando que ele entre para a estatística de assassinatos.
“Quando a gente pensou na juventude negra, a gente pensou de vários eixos aprimorados. Era um programa muito bom (sic) e a gente queria trazer cultura, trazer educação. Porque não e só combater o genocídio da juventude preta, é pensar dali o que a gente faz. Então, esse jovem tem que está estudando, tem que entrar e permanecer. Esse jovem tem que ter acesso à cultura, ao esporte. A nossa ideia era, além de percorrer todos os estados do país e conversando com a juventude, é também dar esses espaços concretos, futuros para o que vai acontecer”, explicou a ministra.
Essa viagem pelo país, servirá para identificar os problemas de cada estado. Anielle pontuou que até agosto, a primeira diretriz já será formada. “O Ministério vai estar em todos os estados, com várias caravanas. A gente vai, sim, tá ouvindo todos os jovens que a gente puder e trazer para luta, para gente entender qual a demanda mais forte e mais emergencial”, ressaltou.
Para a vice-governadora, Jade Romero, o pioneirismo do Ceará na Abolição da Escravidão, foi um grande momento de resistência. O lançamento da caravana é uma forma de escrever mais páginas sobre a luta contra o racismo.
“Primeiro, viva Dragão do Mar! Que a gente possa sempre ressaltar os verdadeiros heróis, a gente se vangloria da questão abolicionista, e que a gente possa sempre lembrar quem são os verdadeiros heróis, não foram os brancos, não foi princesa. Na verdade, foi uma resistência negra e, principalmente, por meio da educação, da resistência. O nosso legado, com o governador Elmano, é que a gente sempre possa escrever as melhores páginas, de reconhecer o racismo estrutural que existe no nosso país e no nosso estado. E, que a gente possa escrever mais páginas para mulheres, a população e, principalmente, para a nossa juventude negra”, falou.
NÚMEROS DA VIOLÊNCIA NO CEARÁ
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2021, as pessoas negras representaram 77,6% das vítimas de homicídio doloso. A partir do levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz, entre 2012 e 2019, os números demonstraram que a taxa de mortalidade por homicídio de jovens negros foi 6,5 vezes maior que a taxa nacional.
Em 2021,no Ceará, o número de pessoas negras, entre 15 e 29 anos, somou 1.808 jovens mortos. Conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do total de mortes devido agressões intencionais de jovens no Ceará neste ano, 93% são de jovens negros, acima da média nacional, que foi de 82%, no mesmo período.
