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14% dos estagiários nordestinos são únicos responsáveis pelo sustento da família

Segundo levantamento inédito do Centro Integração Empresa-Escola (CIEE), 14% dos estagiários na Região Nordeste declaram ser o único responsável pelo sustento da família. A pesquisa, encomendada ao IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), ouviu mais de 10 mil estagiários em todo país, no período de 7 de dezembro de 2022 a 13 de janeiro deste ano.

A realidade é vivida por Samuel Mendes, de 25 anos, morador do bairro Jari, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ele é acadêmico de Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e faz estágio de 20h semanais há 1 ano e 5 meses no Tribunal Regional do Trabalho do Ceará – 7ª Região (TRT-7), no setor de Gestão de Estágio.

“Eu fui por um período dentro desse tempo de estágio, o único, e somando o período até agora, o principal responsável financeiro. Hoje já tenho ajuda. Mas, se olhar todo o período de estágio, fui o principal responsável financeiro da casa.” Ele, que é casado há 3 anos, agora conta também com ajuda nas despesas da esposa, que conseguiu uma promoção no trabalho com aumento salarial.

Ele recebe uma bolsa de R$ 863, além de um auxílio transporte de R$ 10 por dia de trabalho.

O estagiário do TRT-7, Samuel Mendes, 25 anos, durante seu expediente no setor Gestão de Estágio, responsável pela gestão do programa de Estágio do TRT. Foto: Arquivo Pessoal

Ainda segundo Samuel, a bolsa hoje ajuda principalmente com alimentação, água, energia, internet e descolamento até a faculdade. “O estágio é importante porque me dá uma certa estabilidade para poder manter a rotina estudo/trabalho sem esgotamento físico e mental. A bolsa faz uma grande diferença no prosseguimento dos meus estudos. Me ajuda com os custos de locomoção e os custos com os materiais de estudo, além da alimentação”.

DESPESAS

Conforme o levantamento apresentado pelo CIEE, 14% dos estudantes ouvidos em todos o país usam a bolsa-auxílio para pagamento da alimentação.33% dos estudantes pagam a mensalidade escolar com o benefício. Apenas 5% dos participantes da pesquisa afirmaram que o principal destino do auxílio financeiro do estágio são destinados para cursos extracurriculares.

A pesquisa do CIEE também mostrou que em 83% dos lares dos estagiários, a renda familiar não ultrapassa R$ 6.060, onde ao menos 35% dos respondentes afirmam que a junção dos ganhos da família chega a até R$ 1.212,01 por mês. Ao menos 70% dos ouvidos, conforme o levantamento, apontaram que contribuem para o sustento da família.

Conforme Luiz Carlos Machado, diretor de Informações Funcionais do TRT-7, o órgão oferece por meio do seu programa de estágio, 320 vagas para diversos cursos, entre Direito, Jornalismo, Tecnologia e Administração. A bolsa, conforme Luiz, é compatível com uma jornada de 4h de estágio por dia, de nível superior, juntamente com o auxílio transporte mensal e o seguro contra acidentes pessoais. Além disso, ele ressalta que a instituição ficou em 1º lugar pela terceira vez no Prêmio CIEE Melhores Programas de Estágio, neste ano, concorrendo com outras 534 organizações de todo o Brasil.

“Os dados da pesquisa mostram que o nível de renda da população do Nordeste, em média, é menor do que em nível nacional. À medida que você tem também uma maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho e você potencializa essa inserção a uma qualificação, o estágio, como sendo o primeiro emprego para maior parte dos jovens, ele acaba sendo um agregador de renda e de contribuição de renda para a família. Ou seja, à medida que você gera a perspectiva de reinserção ou de inserção dos jovens por meio do processo produtivo como o estágio, como o primeiro emprego, como os programas de menor aprendiz, você potencializa a distribuição e a geração de renda no seio familiar”, destaca o economista Ricardo Coimbra.

Segundo Ricardo, os dados dos estagiários no Nordeste reforçam a necessidade do fortalecimento dos programas de estágio na inserção dos jovens no mercado de trabalho.

“Esse fortalecimento é importante para que o jovem consiga não só se inserir no mercado de trabalho, mas permanecer ao longo do tempo no mercado de trabalho mudando a realidade socioeconômica da família. Ou seja, é atrelar e gerar programas integrados de bolsa, de programas de inserção educacional, como Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e o Programa Universidade para Todos (Prouni) na capacitação desse jovem para que ele consiga se inserir no mercado de trabalho”, afirma o economista.

IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO

A gerente de Operações e Atendimento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Érika Araújo frisa a importância dos estagiários para as empresas. “O estagiário traz um sangue novo, uma energia nova para a empresa. Traz atualização. Então, uma empresa que contrata estagiários está sempre buscando inovação. Dar a possibilidade a esses jovens é ter contato com a atualização, com inovação, com conhecimento, fazer com que as pessoas com mais tempo na sua empresa tenham esse contato também, com aquele sangue, aquela energia de sempre ir além. E ser efetivado, que o objetivo do estagiário”.

Érika ressalta ainda que mesmo com a crise, o mercado de trabalho em todo o Nordeste está aquecido, com mais oportunidades disponíveis, se comparado com 2022.

“É importante fazermos esse apanhado, pois as empresas estão abrindo suas portas para contratar estagiários porque eles vão ajudá-las a oxigenar o ambiente e também ter um custo menor do que contratar um celetista. Apesar da crise econômica, o mercado permanece aquecido e a gente consegue perceber o aumento nas oportunidades”.