Uma das principais forças políticas do Ceará, o posicionamento do PSD quanto ao apoio ao governo e Elmano de Freitas (PT) para o pleito municipal ainda é incerto. Ao OPINIÃO CE, porém, o deputado federal Domingos Neto, filho do presidente estadual da sigla, Domingos Filho, e um dos principais nomes do partido no Estado, ressaltou que “a política é feita de gestos” e o primeiro foi feito pelo Executivo estadual. “O Governo convidou para que o PSD fizesse parte do bloco na Assembleia [Legislativa] com o Partido dos Trabalhadores. Acho que isso [apoio ao partido] é algo que, ao longo do tempo, pode ou não acontecer. Se acontecer, tem que ser de interesse de ambos“, disse.
Mesmo integrando o bloco partidário liderado pelo PT na Casa, os três correligionários (Gabriella Aguiar, Fernando Hugo e Lucílvio Girão) têm liberdade para tomar as decisões.
A declaração foi dada ao colunista Roberto Moreira durante encontro com produtores realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) no sábado, 6, em Quixeramobim. “Independente disso, o PSD tem um modo de trabalhar que é assim: o que é bom para o Ceará, conta com o PSD. Sempre que o Governo precisou dos projetos importantes, o PSD na Assembleia votou a favor, ajudou a melhorar, apresentou emendas. Isso é o que fazemos ao nível nacional e em nível estadual”, destacou o parlamentar.
Nas eleições para governador, em 2022, o PSD apoiou a chapa encabeçada pelo ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT), que teve como candidato a vice-governador Domingos Filho. A ex-deputada estadual Érika Amorim também compôs a chapa, como candidata ao Senado. Em abril, o presidente estadual do partido destacou, em entrevista, que a sigla tem um espaço considerado mais “periférico” na gestão do prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), que deverá tentar reeleição, e que está aberto a conversas com Elmano. Filho pontuou, no entanto, que “alguns passos precisam ser dados para que isso ocorra”.
PSD NA DISPUTA POLÍTICA
Com histórico pragmático, a direção estadual do PSD aguarda a melhor formatação do cenário político para as definições do posicionamento nas eleições municipais do próximo ano. Hoje, a sigla tem o terceiro maior número de prefeituras – atrás do PDT e PT – e uma forte influência na região do Sertão Central, principalmente com as lideranças da Patrícia Aguiar, de Tauá, e dos filhos Gabriella Aguiar, deputada estadual, e Domingos Neto, deputado federal. Perto do próximo pleito, os diálogos começam a avançar para a definição de apoios.
Com mediação do senador Cid Gomes, que disse querer disputar à presidência estadual do PDT no Ceará, hoje nas mãos de André Figueiredo, o encontro com produtores em Quixeramobim, no sábado, 6, sinalizou o atual clima dos quadros partidários. Questionado sobre uma possível aliança com o PDT, o prefeito de Pedra Branca, Matheus Góis (PSD), disse ao OPINIÃO CE que as conversas estão em andamento. “O PDT de Pedra Branca sempre foi nossa oposição, mas a gente tem uma conversa boa com o Cid, com o Cirilo [Pimenta, prefeito de Quixeramobim], que são do PDT”, afirmou.
“Nós temos nos aproximado muito [com o Cid], contando com a ajuda do Amílcar [Silveira, presidente da Fae], sobretudo na educação. Estamos ampliando nosso diálogo e, logicamente, algumas lideranças do PDT estão vindo compor com a gente na base. Há todo um trabalho sendo feito para aproximar essas frentes de trabalho”, ressaltou o prefeito de Quixadá, Ricardo Silveira (PSD).
