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Prêmio, escritores e manifestações

João Cabral de Melo Neto, da Morte e vida severina, Rachel de Queiroz, do O Quinze, Dalton Trevisan, das Novelas nada exemplares, Raduan Nassar, da Lavoura Arcaica (que ao receber o Prêmio criticou o governo Temer, referindo-se a ele como “repressor”), foram escritores brasileiros ganhadores do Prêmio Camões, prestigiada honraria literária do mundo de língua portuguesa. Em 2019, foi a vez de Chico Buarque de Hollanda ser o laureado. No entanto, o então presidente da República, recusou-se a assinar o diploma (talvez tenha sido algo bom), e a entrega formal da comenda foi adiada.

O destino pode guardar boas surpresas. Lula, ainda preso, escreveu para o grande artista que é autor de Essa Gente e do mais recente Anos de Chumbo, dentre tantas outras obras que retratam um Brasil hipocritamente conversador nos costumes, gritantemente miserável na economia, na desigualdade social, na marginalização de muitos. No bilhete, o atual presidente parabeniza Chico pela premiação e deseja muito em breve vê-lo.

Pois o momento da entrega chegou. Segunda, 24 de abril, data da entrega do Prêmio Camões para Chico Buarque, em Portugal. Em seu discurso de recebimento, o grande artista alerta para a persistente ameaça fascista que ainda ronda. Cantor e compositor de músicas que marcaram gerações e mais que isso, marcaram um momento histórico do país, escritor de estilo singular, resistente, Chico é merecedor de muitos prêmios. De Jabutis já deve ter uma coleção. O Brasil precisa reconhecer seus talentos, seus escritores, ainda em vida deles. E jamais negar a entrega de um prêmio oficial, exceto caso seja por mãos imerecidas para tanto.