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Chacina do Curió: Estado promete reforço na segurança de familiares e testemunhas do caso

Foto: Reprodução / Instagram / Renato Roseno

As famílias das vítimas da Chacina do Curió, massacre ocorrido em novembro de 2015, no bairro Curió, na Grande Messejana, em Fortaleza, estiveram reunidas na última quarta-feira, 19, com o governador Elmano de Freitas (PT), no Palácio da Abolição, para tratar sobre o julgamento dos envolvidos na chacina. Os familiares cobram reforço no apoio psicossocial. O processo, considerado o maior julgamento da história do Judiciário cearense, está marcado para 20 de junho, seguido de mais duas datas, 30 de agosto e 14 de setembro.

Entre os compromissos assumidos por Elmano junto ao movimento de Mães do Curió, formado pelos familiares das vítimas da chacina, está o reforço na segurança de familiares das vítimas sobreviventes e testemunhas do caso; a oferta de atenção à saúde integral, que inclui apoio especializado em saúde mental para vítimas da chacina; e o fortalecimento das instâncias de controle interno da polícia, a fim de prevenir novos casos de violência policial.

Participaram do encontro com governador Elmano, a delegação da Anistia Internacional Brasil, representantes do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca Ceará), do Fórum Popular de Segurança Pública, da Comissão de Direitos Humanos da Alece e DPE. Esta foi a primeira vez, em quase oito anos desde a Chacina do Curió, em 2015, que as mães foram recebidas pelo governador do Estado.

APOIO PSICOSSOCIAL

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), deputado estadual Renato Roseno (Psol), que participou da reunião, informou ao OPINIÃO CE por meio de sua assessoria, que, durante o encontro, foram apresentadas demandas de apoio psicossocial para as vítimas de violência institucional, frisando que existe uma ação civil pública da Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPE) que pede a prestação desse serviço. Segundo o parlamentar, até o momento não está sendo cumprida.

Além disso, conforme Roseno, foi pedido o fortalecimento da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), que ainda não terminou o julgamento dos envolvidos na chacina. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou 44 policiais, onde, destes, 34 seguem como réus e oito irão a julgamento em 20 de junho.

Conforme apurou o OPINIÃO CE, na quinta-feira, 20, aconteceu uma nova reunião, de pontas fechadas, entre Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) e Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPE) para debater as demandas psicossociais (atendimento psicológico e fortalecimento da rede assistencial, o Acolhe, projeto da DPE). Um novo encontro ainda dever ocorrer.

CHACINA

Nos dias 11 e 12 de novembro de 2015, dezenas de polícias mataram 11 jovens entre 16 e 19 anos, no bairro Curió, na Grande Messejana, em Fortaleza, além de deixar outras sete vítimas com sequelas físicas e transtornos psíquicos. Conforme informações da Cedeca, a investigação da Delegacia de Assuntos Internos (DAI), da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD), concluiu que as mortes das 11 pessoas teriam sido cometidas por policiais militares (em serviço e de folga) que se reuniram para vingar a morte de um PM.

Ainda conforme a Cedeca, o controle externo ineficiente da atividade policial e a morosidade no fornecimento de respostas institucionais contribuíram para que o Ceará atingisse a vergonhosa soma de mais de 1,2 mil mortes por intervenções policiais nos últimos dez anos.