Primeiro, uma professora de 71 anos foi assassinada com uma faca por um aluno de 13 anos em escola de São Paulo. Depois, um homem invadiu escola em Santa Catarina e matou 4 crianças com uma machadinha. No Ceará, em Farias Brito, um adolescente invadiu uma escola e deixou 2 alunas feridas. Isso não era uma coisa tipicamente norte-americana? Infelizmente parece que não mais. Boatos, histórias inventadas de ataques que aconteceriam em escolas circulam nas redes e preocupam os pais e responsáveis de alunos.
Enquanto isso, dois episódios de mais violência chamaram a atenção da mídia e de grande parte da população.
Ep. 1: no vídeo, uma mulher agride um entregador com uma coleira de cachorro, transformando o objeto para uso em animal, num chicote. Ela açoita o entregador. Não é a primeira vez que ataques contra entregadores viralizam. É o resultado do trabalho precarizado, sem garantias, sem direitos. A cena forte e chocante, inevitavelmente faz pensar no período da escravidão, como declarou a própria vítima. A mulher, como uma senhora, como uma má sinhá, castiga seu escravo.
Ep. 2: crianças são flagradas em aula de clube de tiro. Menores de idade, de baixa estatura, pequenos, são filmados numa aula de atirar. Pode parecer absurdo, mas recentemente um gesto de fazer arma com a mão se espalhou durante campanha eleitoral e também no período pós-campanha. E a facilidade em ter armas foi colocada em prática pelos que em campanha prometeram. Um bang bang em que até crianças são envolvidas. Ah, mas não era revólver com munição de matar, era só air soft, que fere, machuca e pode cegar.
Até agora, em 2023, dezenas de mulheres já morreram por feminicídio, pelas mãos de homens que se acham os donos delas e os donos do mundo. Esses episódios violentos mostram exemplarmente o país de violência que é o Brasil. Chicote, bala, faca e machadinha, são as armas usadas para manifestar o ódio, a intolerância, o racismo, em suma, a morte.
