A quadra chuvosa (fevereiro a maio) no Ceará tem levado água aos reservatórios e ocasionado mudanças na paisagem a quem percorre o território cearense. A visão se traduz em marcas históricas: segundo o Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado nesta quarta-feira, 19, pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, o Ceará apresentou uma redução da seca fraca e tem o melhor cenário desde 2014, quando a ferramenta foi implementada. O dado indica a redução de impactos de seca no curto e longo prazos.
Conforme o Monitor, em fevereiro, no início da quadra chuvosa, o Estado apresentava 4,81% do seu território classificado como seca fraca, que, na ocasião, indicava impactos de longo prazo com diminuição do plantio, crescimento de culturas ou pastagem, além de alguns déficits hídricos prolongados. Já nesta nova atualização, a ferramento aponta que o Ceará não apresenta seca relativa.

O cenário positivo se deu, principalmente, pelas chuvas mais expressivas, como no mês de março, cujo volume registrado foi o maior desde 2008. Conforme a Funceme, foi registrado o volume de 300,5 mm, representando um desvio de 47.7% em relação à normalidade, que é de 203,4 mm. Em março de 2008, o Ceará registrou 332,8 mm. As áreas com os maiores acúmulos foram o Litoral de Fortaleza (377,7 mm) e o Litoral do Pecém (371,6 mm). Entre os municípios cearenses com maiores volumes estiveram Uruburetama, no Litoral Oeste, com 625 mm; seguido de Camocim, no Litoral Norte, com 582 mm; e Ubajara, na Serra da Ibiapaba, com 576,7 mm.
Neste mês, segundo balanço da Funceme, já choveu em 183 dos 184 municípios cearenses, totalizando um acumulado médio de 135.2 mm (a normal para os 30 dias de abril é 188 mm). O Litoral de Fortaleza (203 mm), Litoral Norte (189.3 mm) e Ibiapaba (168 mm) têm os melhores acumulados médios.
RECUO DA SECA
Monitor divulgado em fevereiro desde ano referente aos meses de novembro e dezembro de 2022, mostram que o Ceará já havia recuado de 28% para 15% em territórios com seca (21,6 mil km²), se mantendo na categoria estável. O recuo representou a menor área com seca desde agosto de 2022. Além disso, o Estado não apresenta outro nível mais grave de seca desde fevereiro do ano passado, quando o mapa apontou 3,42% do território classificado com seca moderada – quando os impactos são mais intensos.
Em dezembro de 2022, por sua vez, o Monitor de Secas já indicava recuo na área classificada com seca fraca no Ceará. O valor era referente aos meses de outubro e novembro. Conforme a ferramenta de acompanhamento periódico, o Estado apresentava 32,21% do seu território com a classificação mais branda da seca e passou, em dezembro, a apresentar 28%, ou seja, uma variação absoluta de mais de 3%.
O recuo ocorreu no sudoeste do Estado, onde está localizada parte da macrorregião do Sertão Central e Inhamuns que, historicamente, sofrem com a escassez hídrica. A variação positiva, segundo a Funceme, ocorreu devido às chuvas acima da média no fim do ano. No estágio de seca fraca, espera-se veranico de curto prazo diminuindo plantio, crescimento de culturas ou pastagem, ou ainda déficits hídricos prolongados, pastagens ou culturas não completamente recuperadas.
