Composto por 16 instituições, o GT, o Grupo de Trabalho (GT) para criação do Geoparque Sertão Monumental (GSM) iniciou, nesta semana, o evento Geodia. Com o objetivo de promover ações para divulgar a importância da Geodiversidade, do Geopatrimônio e das Ciências da Terra, o encontro apresenta os geossítios com paisagens graníticas de relevância internacional do GMS às entidades. A programação segue nesta quinta-feira, 20.
Entre as atividades estão uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Quixadá. Participaram a titular da Sema, Vilma Freire. Localizada no Sertão Central, a área poligonal de 5.345 km² do GMS compreende os municípios de Quixadá e Quixeramobim. De acordo com a secretária, “o GT tem o objetivo de articular o Geoparque Mundial, de forma a promover o desenvolvimento sustentável, a conservação do patrimônio geológico e fomentar o geoturismo na região, bem como obter concessão da chancela mundial pela UNESCO”.
Conforme professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Felipe Monteiro, com 20 sítios e geossítios de valor arqueológico, paleontológicos, histórico e cultural, sendo dois de relevância internacional e 12 de relevância nacional, o espaço está dentro dos critérios da UNESCO de geoconservação, geoeducação e geoturismo.
Monteiro foi o responsável pela apresentação do projeto e explicou que os Geoparques são patrimônios naturais certificados pela UNESCO.
“Nosso papel agora é preparar o terreno para a vistoria da UNESCO. A Chapada do Araripe é hoje o único Geoparque do Ceará. Quixadá e Quixeramobim possuem paisagens unificadas de grande beleza cênica, numa área geográfica, geológica e ecológica de relevância internacional: os Monólitos de Quixadá e mais quatro Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). Temos um cenário ideal”.
Os cenários são preservados pelo Monumento Natual (MONA) – categoria de Unidade de Conservação (UC) que tem como objetivo preservar a integridade de um elemento natural único, de extrema raridade ou beleza cênica. No total, o Ceará tem monólitos concentrados em mais de 50 elevações e protegidos por uma UC.
Ainda em fala, a secretária Vilma agradeceu a presença dos AJAs e conclamou a união de todos. “Vamos trabalhar juntos: poder público – Estado, prefeituras e câmaras municipais – academia, ministério público, sociedade civil. O que se quer é a chancela da UNESCO para dar visibilidade mundial a esta imensa riqueza. A MONA existe há mais de 20 anos e estes estudos devem provocar celeridade na decisão. É isso que queremos: o Ceará sempre à frente, expondo a beleza da caatinga e do nosso sertão”.
Além de Vilma e Monteiro, também marcaram presença no primeiro dia do evento a titular da Secretaria de Turismo (Setur), Yrwana Albuquerque; o prefeito Ricardo Silveira, de Quixadá; Sandra Santiago, da Autarquia do Meio Ambiente de Quixeramobim, representando o prefeito do município, Cirilo Pimenta; o presidente da Câmara Municipal de Quixadá, Luiz Neto, que conduziu os trabalhos; vereadores e vereadoras; promotores do Ministério Público; técnicos do Serviço Geológico Brasileiro; Clébio Viriato, presidente da Fundação Cultural; Mara Lopes, superintendente da AMMA, além de representantes da UECE, UFC, IFCE e Agentes Jovens Ambientais (AJAs).
GEOPARQUES
No conceito da UNESCO, os Geoparques são territórios de interesse geológico e geomorfológico, com uma estratégia de desenvolvimento responsável tanto social quanto ambientalmente. Além disso, também são geridos com um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. No Brasil, até o momento, três Geoparques Mundiais têm o reconhecimento da UNESCO: o Araripe (CE), Seridó Geoparque (RN), e Caminhos dos Cânions do Sul (localizado entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina).
Localizado no sul do Ceará, o geoparque Araripe apresenta aproximadamente uma área de 3.789 km². O território é conhecido por estar inserido em um importante período geológico chamado Cretáceo – da Era Mesozoica onde habitou fósseis de 150 à 90 milhões de anos.
Os fósseis têm sido fonte de inspiração para os artesãos, artistas plásticos e agentes culturais da região, especialmente aqueles que se dedicam a arte de criação de geoprodutos, a exemplo da confecção de réplicas de fósseis comercializáveis liberadas pelas autoridades competentes dos órgãos ambientais. A região também se destaca pelo sistema hidrogeológico que transforma esse recorte territorial em um oásis no semiárido nordestino.
