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Situação e oposição travam guerra de narrativas sobre CPMI do 8 de janeiro

A sessão do Congresso Nacional que estava marcada para ocorrer nesta terça-feira, 18, onde deveria ser lido o requerimento de instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, foi adiada para a próxima quarta-feira, 26, pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD). Segundo o parlamento, a decisão ocorreu após pedido dos governistas para que aguardassem o projeto de lei que garante o pagamento do piso da enfermagem, assinado pelo presidente Lula (PT).

Em plenário, o senador cearense Eduardo Girão (Novo) criticou o adiamento da sessão. Segundo ele, essa foi uma manobra do Governo para tentar retirar assinaturas da CPMI. “Na verdade, nós fomos enganados. O Governo teve tempo para a retirada de assinaturas, concedido com esses adiamentos sucessivos aqui da Presidência do Senado, que hoje se presta ao papel de ser um puxadinho também do Governo Federal. Para mim, por várias situações, demonstrou ser um puxadinho do Supremo Tribunal Federal, mas hoje o Senado se apequenou de uma forma que eu nunca vi, criticou o senador.

Conforme Girão, a justificativa de que a sessão foi adiada para que houvesse tempo de apresentar um projeto de lei do Congresso que permitiria pagar o piso da enfermagem não procede, já que todos estariam dispostos a participar de uma nova sessão para aprovar o projeto. Além disso, ele afirmou que eventos como este apenas aumentam a curiosidade da população e a mobilização pela CPI mista e conclamou os colegas a assinarem o pedido de abertura da comissão de inquérito, ressaltando que quem retirasse a assinatura, entraria para a história como “traidor da nação”.

Questionado pelo OPINIÃO CE, o líder do Governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse em nota que considera que as autoridades competentes da Justiça “já estão cumprindo um bom papel na investigação desse fato”. “Há vários investigados e punidos pelos atos criminosos do dia 08/01. Por isso uma CPMI agora não teria necessidade, pois foge dos objetivos de uma CPMI ou CPI. Caso seja instalada, quem tem que temer essa CPMI é quem patrocinou e influenciou esses atos de barbárie”, disse o parlamentar.

Já o líder governista no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede), frisou que há um compromisso do Governo para que, na próxima sessão, haja a leitura do requerimento. “Seria totalmente impróprio realizar uma sessão do Congresso Nacional no dia de hoje [18] e, na semana que vem, a nova sessão para votar o PLN da enfermagem. É por essas notórias razões que, a pedido da Maioria, o presidente do Congresso adiou a sessão. De nossa parte, da parte do Governo, há acordo para que a sessão seja inaugurada e aberta com a leitura de quaisquer requerimentos que estejam pendentes e, na sequência, com a deliberação sobre os vetos que foram acordados”, garantiu o líder, após a reunião.

ATOS GOLPISTAS

Em 8 de janeiro, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram os prédios dos Três Poderes. Integrantes da oposição do Governo Lula querem investigar possíveis omissões da União e a suposta presença de infiltrados nos atos, enquanto senadores governistas argumentam que os crimes já estão sendo investigados. Nesta terça-feira, 18, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar se aceita as denúncias contra 100 pessoas acusadas de participação nos atos golpistas

O pedido de adiamento da sessão foi feito pelos deputados líderes da base governista, Zeca Dirceu (PT), Antônio Brito (PSD), Isnaldo Bulhões(MBD), Fábio Macedo(Podemos), Hugo Mota (Republicanos) e Felipe Carreras (PSB).