Menu

Medalha Iracema homenageia grupo diverso de personalidades cearenses

Foto: Prefeitura de Fortaleza

Uma das programações oficiais do aniversário de 297 anos de Fortaleza, a entrega da Medalha Iracema 2023 reuniu um grupo de personalidades marcado pela diversidade, nesta quinta-feira, 13. Principal comenda do município, a medalha foi outorgada à ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele, uma militante anticapitalista; ao empresário e ex-senador Tasso Jereissati; à primeira travesti doutora do país, Luma Nogueira; ao artista Descartes Gadelha; e ao presidente da Central Única das Favelas, Preto Zezé.

Ausentes da cerimônia, realizada no Teatro São José, Descartes Gadelha foi representado pela irmã, Nadia Gadelha; e Tasso Jereissati, pelo vice-prefeito de Fortaleza e seu correligionário, Élcio Batista (PSDB).

Em discurso, o prefeito José Sarto (PDT) agradeceu aos presentes e aproveitou para rebater críticas. “Eu não tenho nenhum problema de admitir antagonismos políticos, eu sei muito bem o que a gente passa na periferia. (…) A Medalha Iracema é concedida por um conselho e eu analisei todas as escolhas com muita honra e alegria, mostrando como Fortaleza é rica. Fortaleza tem muita sorte de tê-los“, disse o pedetista.

O vice-prefeito Élcio, em nome de Tasso, destacou o valor do ex-governador para a construção do Ceará. “(Tasso estabeleceu) uma nova visão do que somos enquanto comunidade. Isso foi crucial para transformar a vida dos cearenses”, destacou.

Já a ex-prefeita de Fortaleza fez críticas ao sistema capitalista e enfatizou sua trajetória no combate ao feminicídio, à prostituição e à desigualdade. “Trouxe da família a honestidade e o sentido da caridade; e, dentro de mim, trago a certeza que não há idade para começar a amar. Fortaleza é uma cidade de grandes contradições, inclusive no período da década de 60 e 70. Nesse tempo todo, aprendi que nós, mulheres, somos guerreiras e não inferiores aos homens”, relembrou. Maria Luiza dedicou a comenda às mulheres e ao Movimento Crítica Radical.

Em homenagem ao grupo Mães pela Diversidade e toda a comunidade LGBTQIA+, a primeira doutora travesti do País, Luma Nogueira, destacou que a família, a igreja, o trabalho não a queriam e contou um pouco de sua trajetória de vida e como chegou onde chegou por meio da luta. “Tive que vender meu próprio corpo para poder sobreviver. Ou vendia ou não comia. Ser a primeira doutora travesti nesse país não foi fácil. E nós tivemos a primeira doutora travesti do estado do Ceará. Queiram ou não chegaremos lá“, discursou.

PROTESTO

Antes do início da cerimônia, uma manifestante protestou contra a gestão Sarto no Teatro São José. Uma mulher, vestida de palhaça, com palavras de ordem coladas na roupa, acompanhada de uma criança pequena, fez críticas ao prefeito: “Qual foi projeto de habitação que esse prefeito entregou? Nenhum. Pinta a cidade inteira de amarelo, dizendo que está fazendo muito. Não faz”, protestou.

A MEDALHA

A honraria é concedida como forma de reconhecimento à relevante contribuição dos escolhidos em suas áreas de atuação e militância, além de representar a força, coragem e diversidade do povo fortalezense. Criada em 1969, é uma homenagem à personagem homônima do livro de José de Alencar e é concedida a pessoas que tenham se destacado por suas ações em favor da cidade e de seu povo. Com a entrega da honraria aos escolhidos, a cidade reforça seu compromisso com a valorização da cultura, educação e política, reconhecendo a importância de suas personalidades na construção da história de Fortaleza.