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Em 100 dias de governo, Elmano de Freitas busca ampliar alianças e imprimir sua marca

Elmano conversa com a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. Foto: Divulgação/Governo do Ceará

Elmano de Freitas (PT) completa 100 dias de mandato à frente do Governo do Estado com importantes vitórias no campo político e administrativo. Para chegar ao Palácio da Abolição, ele contou com o apoio do ex-governador e hoje ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e do presidente Lula (PT). O cientista político e pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da UFC (Lepem-UFC), Cleyton Monte, reflete que a interlocução com o governo federal e a criação de programas e secretarias voltadas para minorias sociais podem ser apontadas como uma “marca de governo” nesse período.

“O governador, por exemplo, vem insistindo muito na questão do combate à fome. Isso está muito presente na fala, nas ações, nos projetos”.

Na Assembleia, Elmano tem maioria e pode passar projetos sem muita dificuldade. Para isso, ele conta com apoio do seu líder, o deputado Romeu Aldigueri (PDT). A indicação do nome do PDT para representá-lo na Alece foi um movimento importante do governador na busca por coalizão. Cleyton Monte destaca ainda que o cenário de ruptura entre PT e PDT é uma variável inédita que se impõe ao governador.

“O PDT, que era o principal partido da coalizão do Camilo, não está totalmente presente, por causa do rompimento, essa é a grande marca”, reflete. O conflito hoje separa o PDT internamente em dois blocos: o mais próximo do ex-prefeito Roberto Cláudio e do prefeito José Sarto e o mais próximo do governo petista. Nessa composição, o governador conseguiu o apoio de 10 dos 13 deputados do partido na Casa.

IMPASSES

No pacote político-administrativo enviado para votação na Alece em fevereiro, o aumento do ICMS foi o principal palanque para a oposição e o primeiro lampejo de desgaste da atual gestão entre os cearenses. O aumento da alíquota de 18% a 20% foi aprovado, mas com efeito somente a partir de 2024, diferente da maioria dos outros estados que também votaram medidas de compensação, mas que passaram a viger pouco tempo depois à aprovação.

Em paralelo, o governador ainda mantém pendências com os professores da rede estadual e patina no reajuste do magistério, na visão de sindicalistas.

A gestão mantém diálogo com entidades representativas, mas ainda não há acordo finalizado até o fechamento desses 100 dias de mandato. O especialista Cleyton Monte reconhece que existe “maior pressão por parte de associações e movimentos sociais” em torno do governador. “Como Elmano é uma figura de movimento, foi advogado do MST, é uma figura que esteve presente na CUT, o governo dele acaba refletindo um pouco isso”, aponta.

VITÓRIAS

Logos nos primeiros dias à frente do Governo do Estado, Elmano conseguiu um feito simbólico: a suspensão do edital que estabelece a concessão do Parque Nacional de Jericoacoara. A solicitação, feita ao presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi uma das primeiras ações do governador e um demonstrativo da interlocução com as instâncias federais, que ficou mais nítida ao longo dos dias.

Além disso, o petista deve integrar a comitiva do presidente Lula à China para negociar investimentos para o Ceará e, ainda sem perder de vista o governo federal, também negocia a Transnordestina e a duplicação da BR-116 Pela Estrada do Algodão (CE-060) até Juazeiro do Norte.

A ideia do governador, caso avance, é fazer uma rodovia duplicada ligando o Cariri à Região Metropolitana de Fortaleza, passando pelo Sertão Central. O tema vem sendo tratado com o presidente da República e com ministros de Estado. A iniciativa tem potencial de ser tornar a grande marca de infraestrutura da gestão Elmano. Ainda em termos de imagem de gestão, o mandatário tem dado respostas rápidas, como a mais recente convocação de concursados da Fundação Regional de Saúde (Funsaúde). O movimento aconteceu após pressão do Ministério Público do Ceará e de deputados da oposição.