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Nível de escolaridade das mulheres cearenses cresce em média 1,7% ao ano

Foto: Thiara Montefusco/Governo do Ceará

Segundo constatações do Enfoque Econômico Nº 201, de março, publicadas pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), o nível de escolaridade médio das mulheres cearenses atingiu crescimento de 18,4% entre os anos de 2012 e 2022. A média de crescimento, durante os 11 anos, foi de 1,7% ao ano. O ano de estudo entre as mulheres do Estado também seguiu uma trajetória crescente, passando de 7,6 anos em 2012 para 9,1 anos em 2020.

Além destes dados, a proporção de mulheres com escolaridade básica foi outro fator que teve crescimento durante o período, chegando a 35% em 2022. Em 2012, esse dado contemplava apenas 10,9% das mulheres do Estado. Pela primeira vez, a proporção de mulheres com escolaridade básica supera a proporção de mulheres não escolarizadas (34,5%).

IMPACTOS DA PANDEMIA

Victor Hugo Oliveira, analista de Políticas Públicas e autor do trabalho, informa que as mulheres se tornaram uma população de maior vulnerabilidade frente aos impactos da pandemia de covid-19, especialmente, no âmbito da educação. Por esse motivo, os indicadores educacionais para mulheres apontam uma estagnação após o período pandêmico. Tanto o nível de escolaridade média como o nível de escolaridade mais elevado alcançado estão estagnados desde 2020, no início da pandemia.

Outro ponto que merece atenção é a disparidade racial presente entre mulheres cearenses em relação à educação: em média, mulheres brancas apresentam 1,4 ano de estudo a mais que mulheres negras, e 1,2 ano de estudos a mais que as indígenas ou asiáticas. Em termos de etapa de ensino concluída, enquanto quase 60% das mulheres brancas com 18 anos ou mais possuem educação básica completa, apenas 47,5% das mulheres negras com 18 anos ou mais alcançaram tal nível educacional.

Victor Hugo afirma ser “de suma importância direcionar políticas públicas que possam reverter esse cenário de estagnação, a fim de impedir que a disparidade entre gêneros seja ainda mais agravada pela pandemia no âmbito educacional. Assim como retomar o avanço e crescimento nos níveis educacionais que vinham sendo conquistados”. 

“também deve-se concentrar esforços em reverter o quadro de disparidade racial apontado por este enfoque, atuando em prol de uma maior escolarização de mulheres cearenses negras, indígenas e asiáticas, bem como atingir maiores níveis educacionais das mesmas”, acrescenta.