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O sertão debaixo d’água

“Tenho 58 anos e nunca tinha visto tanta chuva em um curto espaço de tempo”. A frase foi dita pelo prefeito de Senador Pompeu, Maurício Pinheiro, ao OPINIÃO CE. Ela reflete o drama vivido nas cidades do interior cearense nesse início de ano. A verdade é que o cearense não sabe, de tanto sofrer com a seca, conviver com o excesso de chuva. Há muitas fragilidades de infraestrutura e muitas lacunas na prevenção. Os gestores municipais se apegam aos governos estadual e federal para socorrer os desabrigados e para reconstruir ruas, estradas e moradias.

O governador Elmano de Freitas, em Brasília, busca apoio em diversos ministérios para as cidades cearenses que estão em dificuldade. A prioridade é o socorro emergencial: abrigo, agasalhos e alimentos. Mas o pós chuva vai exigir mais. Bem mais. Continuo insistindo numa reflexão necessária: como a chuva tão desejada pode causar tanto sofrimento? Penso que já não é mais suficiente conviver com a seca, é preciso aprender a conviver com as adversidades de forma geral. É preciso aprender a conviver com os fenômenos naturais cada vez mais imprevisíveis e intensos.

O planeta sofre interferências diversas, agressões seculares. Está cada vez mais difícil encontrar o tão necessário equilíbrio.