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Ceará registra o segundo mês de março mais chuvoso dos últimos 30 anos

Foto: Marciel Bezerra/Divulgação

O Ceará apresentou um desvio positivo de 48,9% nas chuvas observadas neste mês de março em relação à normal climatológica para o período, que é de 203.4 mm durante os 31 dias. Em março de 2023, no entanto, o Estado já registrou um acumulado de 302.9 mm, segundo balanço do OPINIÃO CE com base em dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

Os índices ainda poderão ser atualizados. Ainda assim, este já é o maior volume, para o período, desde 2008, quando choveu 332.8 mm (63,6% acima da média) em março. Considerando os últimos 30 anos, março de 2023 figura como o segundo com maior volume de chuvas.

Segundo a Funceme, os municípios com maiores volumes acumulados durante os 31 dias de março são Maranguape (834 mm), Ibiapina (727.1 mm), Granja (664 mm), Uruburetama (645.9 mm) e Varjota (632.6 mm). Em Milhã, cidade que decretou situação de calamidade pública após a água destruir casas, vias públicas e romper barragens, choveu 517 mm, um desvio positivo de 193.5% em relação à normal climatológica para o intervalo (176.2 mm).

Em Senador Pompeu, também no Sertão Central, choveu 452.5 mm (149.4% a mais do que o normal, de 181.4 mm. A cidade também decidiu decretar situação de emergência devido às fortes chuvas. O volume no Município reflete o aporte na macrorregião do Sertão Central e Inhamuns, onde choveu, em média, 261.1 mm (50% a mais do que o normal). No Litoral de Fortaleza, por exemplo, que considera a Região Metropolitana, o observado foi de 381.7 mm (51.1% a mais que o normal).

MÉDIA DE CHUVAS NO CEARÁ, EM MARÇO:

  • 2023: 302,9 mm (48,9% acima)
  • 2022: 264.7 mm (30,1% acima)
  • 2021: 187.7 mm (7,7% abaixo)
  • 2020: 274.5 mm (34,9% acima)
  • 2019: 233.1 mm (14,6% acima)
  • 2018: 128.7 mm (36,7% abaixo)
  • 2017: 202.3 mm (0,5% abaixo)
  • 2016: 125.6 mm (38,3% abaixo)
  • 2015: 178.8 mm (12,1% abaixo)
  • 2014: 155.2 mm (23,7% abaixo)
  • 2013: 78.5 mm (61,4% abaixo) *10 anos
  • 2012: 89.5 mm (56% abaixo)
  • 2011: 154.8 mm (23,9% abaixo)
  • 2010: 74 mm (63,6% abaixo)
  • 2009: 206.9 mm (1,7% acima)
  • 2008: 332.8 mm (63,6% acima)
  • 2007: 120.9 mm (40,6% abaixo)
  • 2006: 187.6 mm (7,8% abaixo)
  • 2005: 196.1 mm (3,6% abaixo)
  • 2004: 140.9 mm (30,8% abaixo)
  • 2003: 266.2 mm (30.9% acima) *20 anos
  • 2002: 184.6 mm (9,3% abaixo)
  • 2001: 148.5 mm (27% abaixo)
  • 2000: 161.5 mm (20,6% abaixo)
  • 1999: 225.5 mm (10,9% acima)
  • 1998: 138.7 mm (31,8% abaixo)
  • 1997: 207.8 mm (2,2% acima)
  • 1996: 250.4 mm (23,1% acima)
  • 1995: 194.5 mm (4,4% abaixo)
  • 1994: 211.2 mm (3,8% acima)
  • 1993: 92.9 mm (54,4% abaixo) *30 anos
  • 1992: 161.2 mm (20,8% abaixo)
  • 1991: 234.4 mm (15,2% abaixo)
  • 1990: 90.9 mm (55,3% abaixo)
  • 1989: 224.2 mm (10,2% acima)
  • 1988: 233.3 mm (14,7% acima)
  • 1987: 303.6 mm (49,2% acima)
  • 1986: 367.7 mm (80,8% acima)
  • 1985: 362.3 mm (78,1% acima)
  • 1984: 285.4 mm (40,3% acima)
  • 1983: 124.9 mm (38,6% abaixo) *40 anos

SITUAÇÃO DOS MUNICÍPIOS

Segundo Boletim Integrado de Ações de Apoio aos Cearenses Afetados pelas Chuvas, divulgado nesta quinta-feira, 30, o Ceará registra 3.693 pessoas desabrigadas ou desalojadas, 6 mortos e 25 feridos devido às chuvas.

Um total de 13 municípios decretaram situação de emergência (Altaneira, Missão Velha, Aratuba, Antonina do Norte, Guaramiranga, Itapipoca, Uruburetama, Tururu, Porteiras, Itapajé, Umirim, Pedra Branca e Senador Pompeu) e um, a cidade de Milhã, de calamidade – considerada uma situação mais crítica. Segundo o Governo do Ceará, os municípios de Groaíras e Mauriti, que constavam na lista no boletim anterior, desistiram do processo de decretação de situação de emergência.

Três das seis mortes registradas ocorreram em Aratuba, em 16 de março. Duas crianças, de 2 anos e 4 meses e de 8 anos, e uma mulher morreram após deslizamentos de terras. O Corpo de Bombeiros comandou os resgates no local, retirando as vítimas dos escombros. Além disso, ao menos 4 trechos das estradas estaduais têm  bloqueios totais ou parciais após os danos causados pelas chuvas: CE-240, em Miraíma; CE-166, no trecho que liga Senador Pompeu a Piquet Carneiro; CE-384, trecho que liga Mauriti ao estado da Paraíba; e CE-384, trecho Mauriti/BR-116, com bloqueio parcial.

Para mitigar os danos, a Defesa Civil, serviço de responsabilidade do Corpo de Bombeiros, tem trabalhado em conjunto com os municípios para mapear e atuar nas principais áreas de risco. Atendendo ocorrências diariamente, todas as equipes chegaram a estar em campo nesta semana, segundo o Governo do Ceará. Para conseguir cobrir todas as áreas, as equipes têm se dividido em ações de mitigação, resposta e de assessoramento junto às Defesas Civis de cada município.

PRIMEIRO FIM DE SEMANA DE ABRIL

No último intervalo de 24h antes do fim do mês, o segundo da quadra chuvosa (fevereiro a maio), entre quinta e sexta-feira, 31, o Ceará registrou precipitações em ao menos 165 municípios. Os maiores volumes foram observados em São João do Jaguaribe (120 mm), Ipueiras (99 mm), Tabuleiro do Norte (87 mm), Santa Quitéria (80 mm) e Morada Nova (74 mm). Segundo a Funceme, a expectativa é de céu variando de nublado a parcialmente nublado com chuva em todas as macrorregiões até domingo, 2, pelo menos.

Para sábado e domingo, é esperado chuvas mais intensas no noroeste durante o período da tarde. Segundo a Funceme, a situação é causada, principalmente, pela presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que encontra-se posicionada em torno de 2°S e segue colaborando para mais instabilidade e chuva sobre o Estado. Além disso, as chuvas estão associadas ao sistema de brisa, a interação dos ventos com o relevo, e ao calor e a umidade.