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Observar e agir

Desde a intensificação das chuvas desta temporada, o Ceará tem mostrado sua fragilidade. Não temos, de fato, infraestrutura adequada para enfrentar grandes precipitações. É um problema histórico e envolto em questões políticas, climáticas e culturais. Como o semiárido é sempre associado à seca, há um despreparo para situações contrárias. O que não é aceitável.

Vivemos em uma região exposta a surpresas. Pode chover bastante e pode quase não chover. Porém, a característica básica da nossa região é de chuvas intensas e isoladas em curtos espaços de tempo. O fato de não haver constância não significa que estamos seguros com relação a desastres naturais. Tanto não estamos, que os invernos mais rigorosos sempre acabam em tragédias.

Este é um ano difícil nesse sentido. Vários municípios do interior estão com problemas. Desabamentos, desmoronamentos, deslizamentos, rompimentos de barragens, vias interditadas, áreas de risco submersas. O governador Elmano de Freitas sobrevoou ontem [27] as regiões mais críticas. Há um trabalho intenso de socorro às vítimas.

Esse é o passo mais urgente e importante nesse momento. Mas depois, quando o tempo mudar, e ele vai, quais medidas serão tomadas para evitar ocupações de áreas de preservação, encostas e morros? O que será feito para impedir barramentos irregulares e uso inadequado de áreas para cultivo? Como será feita a fiscalização? Um plano de contingência vai ser obrigatório, pelo menos é o que se discute no parlamento.

Ainda assim será preciso rigor e, principalmente, fiscalização. Quando o sol abre e a terra racha, as enxurradas parecem desaparecer da memória. É aí que está o problema. A chuva precisa ser bem-vinda, ela é necessária. Precisamos encontrar o ponto de equilíbrio nessa relação de disputa com a natureza. Ela sempre vence.