Depois de tantos excessos, o silêncio permeou os arquétipos das grifes mais cobiçadas. O “criar para chocar” já não é mais válido, assim como o valorizar de uma estética tão lúdica que chega a ser vazia. O fim do extremismo (com foco nos burburinhos pelas redes sociais) marca a retomada da finada-tradicional fase do fashion market: o luxo silencioso.
Essa limpeza traz de volta a narrativa histórica das maisons, ampliada em discussões de temas atuais e urgentes. Voltaram a olhar para o trabalho. A impessoalidade do “office” se destaca em meio à onda massiva de demissões nas empresas – a recessão também atingiu o mercado da moda. A grande exposição das campanhas polêmicas trazia a popularidade, mas também revelava e questionava valores sociais e mercadológicos, absurdos e preconceito. Já citei vários da Balenciaga por aqui.
Estamos cansados. A briga massiva por atenção – com direito a pirotecnia nas redes sociais, Nina Ricci desfilou um look pegando fogo – já não se destaca, o olho quer descansar. Aliás, me questiono bastante se sou só eu que estou cansado de tanta tecnologia, de tanto protagonismo.
Uns dias atrás a Coperni pintou o corpo de Bella Hadid e criou um vestido através de um tecido instantâneo. Agora, o Chat GPT traz atualizações (quase que semanais) para robotizar o que é “digitalizado”. Essa correria desenfreada faz sentido ou devo me mudar para um antiquário?
*João Maropo (joaomaropo@opiniaoce.com.br), colunista e Diretor de Criação do OPINIÃO CE.
