Todos os dias, malas, mochilas, encontros e despedidas se entrelaçam nos corredores e plataformas de embarque e desembarque no Terminal Rodoviário João Thomé, localizado no Bairro de Fátima, na capital cearense, que em 2023 comemora 50 anos de existência.
Quando o prédio foi inaugurado em março de 1973, o espaço continha 31 estruturas de concreto armado, sem nenhuma telha, e sim paraboloides hiperbólicos, que cobriam os quase 10.000 metros quadrados, onde estavam três plataformas de embarque com 8 baias cada, totalizando 24 baias de embarque. Atualmente, o local dispõe de uma plataforma acessível com 30 baias em 45.º, sanitários, lanchonetes, café, sorvetes e utilidades na própria plataforma.

No final de 1974, com pouco mais de um ano de funcionamento, contabilizava mais de um milhão e trezentos mil embarques, com média de 6.000 pessoas por dia. Já em 2022, mesmo com a diversificação dos modais de transporte, o Terminal totalizou a movimentação de um milhão e quinhentas mil pessoas. Hoje, por dia, passam aproximadamente 10.000 pessoas entre embarques, desembarques e acompanhantes.
A filha do arquiteto João Thomé, nome que projetou o terminal que levou o mesmo nome dele, a arquiteta Alessandra Marrocos, em entrevista ao OPINIÃO CE, se emocionou ao falar da comemoração de 50 anos do espaço. “Me remeteu ao tempo de minha infância, quando ouvia no escritório do meu pai, ao longo do andamento da obra, sobre as dificuldades e desafios para a construção”, conta.
Marrocos recorda, ainda, que na época não existia estacas metálicas e nem bombas de concreto, os paraboloides hiperbólicos foram escorados com estacas de sabiá e o concreto era levado por baldes pelos trabalhadores da Rodoviária. “Me sinto muito orgulhosa por essa comemoração, assim como meu pai, que ficou muito feliz e agradecido”, acrescenta a arquiteta.
A VIDA PASSA PELO TERMINAL

Com destino marcado para Juazeiro do Norte, o motorista rodoviário Osvaldo Landim, que estava como passageiro, comemora os 50 anos da rodoviária que faz parte da vida dos cearenses pelo menos uma vez na vida.
“Eu penso que a vida passa pela rodoviária. Todo cearense, algum dia na vida, passou pela Rodoviária Engenheiro João Tomé, seja para coisa boa – como viagem para ver parente, seja para coisa ruim – como velório, mas sempre essa rodoviária fez parte da vida de alguém em algum momento desses 50 anos”, conta o motorista.
Osvaldo relembra com saudade das histórias que, durante 17 anos, pode acompanhar de perto nas estradas cearenses. “Na época que eu era motorista, uma vez vinha de Juazeiro do Norte para Fortaleza, uma passageira vinha chorando muito. E eu fiquei preocupado com aquela situação e perguntei o que estava acontecendo, foi quando ela disse haver perdido as duas filhas dela na Capital. Teve outro caso que foi de uma mulher que veio encontrar com o namorado que nunca tinha visto pessoalmente, só por internet. O homem veio de avião e ela veio para rodoviária encontrar com ele”, contou sorrindo.
Um terceiro caso que Osvaldo também acompanhou por anos é de estudantes que embarcam e desembargam para um propósito nobre: estudar. “A gente sempre vê aqui é as pessoas que passou para alguma faculdade em Fortaleza e mora no interior e têm que viajar todos os dias. Em resumo, a rodoviária faz parte da vida de todo mundo, são 50 anos, é idade de uma senhora já, e eu fico muito feliz de fazer parte dessa história agora como passageiro”, enfatiza.
Motorista da empresa Guanabara há cinco meses, Leonardo Aquino, tem prazer em trabalhar como motorista e fazer acontecer nos caminhos das pessoas que passam pela rodoviária.

“Você pega o ônibus, se desloca com segurança, voltar e cumprir o meu papel de transportar muitas vidas sob a nossa responsabilidade. Antes de eu trabalhar em empresa de ônibus, sempre trabalhei com caminhão e carreta. Em qualquer uma das funções, viajei e viajo o Brasil todo. É muito prazeroso conhecer estrada e lugares”, conta Leonardo, que estava de saída rumo à cidade de Iguatu, no Interior do Ceará.
Odinéia Barbosa, funcionária de um dos quiosques da plataforma de embarque, fala sobre a importância dos 50 anos no que diz respeito à manutenção do local.
“É muito importante os cearenses manterem a rodoviária viva, cobrar do poder público e privado as melhorias e reformas que sempre precisa. Aqui é ônibus saindo e chegando toda hora, então, o fluxo e movimento de todos é importante também”, defende a atendente, que também já foi passageira. Ela teve a oportunidade de conhecer Jericoacoara recentemente.

Possuindo 48.948,42 m² de área total e 11.231 m² de área construída, o Terminal passou a ser administrado, em abril de 1999, pela Socicam, empresa líder em infraestrutura de mobilidade que atua em todos os modais de transporte no Brasil e no Chile. Desde então, o Terminal vem passando por uma série de melhorias, como a troca do piso, a reforma das bilheterias, investimento em tecnologia de acesso, dentre outros.
Atualmente, 13 empresas de ônibus estão em operação no Terminal Rodoviário João Thomé, que partem e voltam de 400 cidades do Brasil.
