Menu

BNB projeta aplicação de R$ 1,2 bilhão na agropecuária cearense em 2023

O montante é válido para o primeiro ano do projeto. Foto: Beatriz Boblitz

O Banco do Nordeste (BNB) deve ampliar seus investimentos na agropecuária cearense ao longo deste ano. Conforme projeção do banco, a aplicação deve passar de R$ 1 bilhão, em 2022, para mais de R$ 1,2 bilhão, em 2023, o que representa um aumento de cerca de 20% – mais de R$ 200 milhões. O montante deverá ser encabeçado por projetos voltados à agricultura e pecuária familiares e ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) Rural, voltado a pequenos produtores e à agroindústria.

No último ano, por exemplo, o AgroAmigo, microcrédito rural para agricultores familiares, respondeu por quase R$ 500 milhões dos investimentos no setor cearense. A meta da instituição é chegar, neste ano, a R$ 600 milhões no conjunto de negócios para pequenos produtores e agricultores familiares de menor renda.

Os dados foram revelados a partir da apresentação dos resultados do Banco do Nordeste no Ceará em 2022 ao Governo do Estado, em reunião ocorrida no último dia 16, entre o superintendente do BNB no Ceará, Lívio Tonyatt, e o secretário do Desenvolvimento Agrário (SDA) do Estado, Moisés Braz. O encontro ocorreu em Fortaleza. Lívio esteve acompanhado dos gerentes de negócios da carteira rural do banco no Ceará, Mario Henrique Januário e Maria José Teixeira, e do gerente de negócios do AgroAmigo, Marcos Icety.

“Não existe agricultura sem crédito. E o banco tem um olhar específico para os nossos trabalhadores rurais, evidenciado o comprometimento com o desenvolvimento da agricultura familiar. Mas ainda há desafios para que consigamos oportunizar a mais gente o crédito a juros subsidiados”, frisou o titular da SDA após o encontro.

Como sugestão para o Banco do Nordeste, o secretário Moisés Braz defendeu a criação de uma linha de financiamento direcionada a mulheres trabalhadoras rurais.

A reunião para apresentação das metas aconteceu neste mês, em Fortaleza. Foto: Divulgação/SDA

Lívio Tonyatt, por sua vez, classificou a reunião como produtiva e importante para os objetivos do BNB. “Apresentamos o volume de recursos que a gente pretende aplicar no Ceará neste ano e discutir em quais pontos podemos ter ação conjunta para que isso aconteça”, disse. Segundo ele, a expectativa é de uma aproximação ainda maior entre o banco regional e o Estado, visando “fazer a agricultura familiar e os pequenos produtores ainda mais fortes”.

FINANCIAMENTO

Maior banco de desenvolvimento regional da América Latina, o Banco do Nordeste tem área de atuação em 2.074 municípios brasileiros e administra os fundos Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e o Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter). Além disso, o BNB executa o maior programa de microcrédito produtivo orientado do País e é considerado o principal agente financeiro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no apoio ao segmento econômico.

Neste mês, durante a 18ª reunião da Câmara Técnica da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste, ocorrida no Rio Grande do Norte, o secretário Moisés Braz defendeu a equiparação dos valores dos créditos do Pronaf para os trabalhadores do Nordeste em relação aos concedidos aos trabalhadores do Sul do País. “Há linhas de financiamento em que um ‘pronafiano’ do Nordeste consegue obter um empréstimo de, no máximo, R$ 6 mil, enquanto o trabalhador enquadrado na mesma linha, em estados do Sul, conseguem entre R$ 15 mil e R$ 20 mil“, exemplificou o titular, se dirigindo ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

Na oportunidade, a delegação cearense também defendeu uma política nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural que atenda aos interesses da agricultura familiar. “Toda a cadeia que trabalhamos, que envolve terra, energia, água, se a gente não tiver conhecimento e acompanhamento técnico, nossos projetos não irão avançar“, pontuou Moisés. A reunião contou com as presenças de secretários e secretárias estaduais do setor, além de representantes de instituições que trabalham com o desenvolvimento e com a Agricultura Familiar.