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III Mostra de Gastronomia Social e Cultura Alimentar inicia nesta terça-feira, 21

Foto: Reprodução/ Governo do Estado do Ceará

A III Mostra de Gastronomia Social e Cultura Alimentar, realizada pela Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco (EGSIDB), inicia nesta terça-feira, 21, e contará com diversas programações gratuitas, entre elas, estarão disponíveis para o acesso do público os produtos desenvolvidos durante a 5ª edição do Laboratório de Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia. Realizadas entre 2022 e 2023, as pesquisas ocorreram nos municípios de Aracoiaba, Barbalha e Icó. Nesse período, foram desenvolvidos produtos que fortalecem a identidade alimentar do Ceará e ligam a gastronomia local às raízes culturais históricas.

“As pesquisas desenvolvidas nesta edição têm o potencial de valorizar a produção de pequenos produtores, contribuindo na criação e na qualificação de produtos e nas estratégias de valorização para o mercado. As ações do Laboratório de Criação partem da compreensão de que a cultura alimentar precisa ter seu consumo estimulado para gerar o repasse dos saberes tradicionais, a geração de renda para o produtor artesanal e a proteção sustentável dos territórios”, afirma Vanessa Moreira, coordenadora de Cultura Alimentar da EGSIDB. Entre os produtos resultados dessas pesquisas, estão uma cajuína vegana, farinha da amêndoa do coco babaçu e um jogo de tabuleiro gastronômico, desenvolvidos por pessoas das cidades de Aracoiaba, Barbalha e Icó.

Em Aracoiaba, Silvanar Soares criou uma versão vegana da cajuína São João, sem uso de ingrediente animal. Além disso, ele também estimulou o turismo rural na comunidade da Lagoa de São João. Silvanar é agricultor e produtor artesanal e foi inspirado a ampliar o acesso ao seu produto, inovando no processo de fabricação da tradicional bebida de caju ao decidir não utilizar ingredientes de origem animal. Também teve a oportunidade de realizar análises laboratoriais e sensoriais do produto, gerando informações para o padrão técnico do rótulo, que teve uma identidade visual criada na Escola.

Nayane Honorato apresenta o resultado de sua vivência ao estudar o território, a cultura alimentar e as tradições históricas do povo icoense. A pesquisadora explorou os conhecimentos contidos nos cadernos antigos de receitas e nas ruas de Icó para desenvolver rotas culturais e um jogo de tabuleiro baseado na experiência de percorrer pontos históricos e gastronômicos da cidade. Será lançado no site da EGSIDB um mapa interativo com os elementos importantes da cultura alimentar do Icó e do Ceará, contribuindo com a difusão das informações relevantes da pesquisa.

Na região do Cariri, em Barbalha, Indra Nunes desenvolveu uma farinha do resíduo da produção do óleo do coco babaçu. Em parceria com as mulheres quebradeiras de coco babaçu da comunidade dos Angolas, o processo aproveita integralmente o fruto e também gera um produto mais sustentável.

“A função social profícua da Escola é contribuir para valorização e reconhecimento da cultura alimentar cearense, que juntamente com a gastronomia social são instrumentos de transformação e estratégia de aprendizado ativo, na medida em que, na sua concepção, assume o compromisso de oportunizar uma devolutiva social à sociedade e às comunidades envolvidas no processo e nos resultados de cada formação, pesquisa e ações, colaborando com o reconhecimento das histórias e das culturas por meio dos insumos locais”, afirma Selene Penaforte, superintendente da EGSIDB.

A mostra também destaca a formação dos alunos dos cursos profissionalizantes com um total de 15 aulas que abordarão ingredientes da cultura alimentar cearense em receitas criadas pelos estudantes. Entre 2022 e 2023, 280 alunos concluíram as formações em Confeitaria, Panificação e Cozinha Básica. Capim santo, maxixe, piaba, macaxeira, carne de sol e acerola são alguns dos itens que estarão presentes nas produções.