O açude Rosário, localizado no distrito de Quitaiús, em Lavras da Mangabeira, no Centro-Sul cearense, voltou a sangrar nesta semana após fortes chuvas na região. O reservatório, um dos 157 monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), já havia ultrapassado a lâmina máxima em janeiro passado. Com as precipitações dos últimos dias na bacia do Salgado, o açude voltou a verter, desta vez com lâmina de 35cm.
Segundo a Cogerh, a comporta do reservatório está aberta, liberando mais 1.400 litros de água por segundo para o Açude Castanhão, maior reservatório do Ceará. Pelas redes sociais, o governador Elmano de Freitas (PT) comemorou.
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O Ceará tem, atualmente, nove reservatórios sangrando – o maior número desde o início do ano. São eles: Valério, Itapajé, Quandú, Acarape do Meio, Germinal, Tijuquinha, Cachoeira, Junco e Rosário. Outros 11 reservatórios estão acima dos 90% de abastecimento: São Vicente, Sobral, Caldeirões, Muquém, Itaúna, Gameleira, Aracoiaba, Pacajus, Pesqueiro, Olho D’Água e Ubaldinho. Os dados foram consultados pelo OPINIÃO CE no portal hidrológico da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), às 15h54 desta quarta-feira, 15.
No geral, o abastecimento hídrico nos 157 reservatórios monitorados pela Cogerh, considerados estratégicos no Estado, é de 31,6%, o equivalente a 5,8 trilhões de litros de água. Outros 67 açudes estão abaixo dos 30% de recarga. Mesmo com situação mais confortável se comparado a períodos anteriores, o governador cearense reforça a necessidade de cautela no uso da água. “Apesar da expectativa de uma boa quadra chuvosa, é importante sempre lembrar do uso racional de água para que não falte aos cearenses“, disse.
MAIORES AÇUDES
Maior reservatório do Ceará, o Castanhão concentra, atualmente, 19,79% de abastecimento, mais que o dobro do registrado em igual período (15 de março) do ano passado: 9,59%. A situação é semelhante a do início de 2023, quando o açude tinha 19,95% de recarga. O Orós, segundo maior do Estado, também apresenta cenário mais confortável. Ele iniciou o ano com 43,66% de reserva hídrica e está, atualmente, com 46,08% – em igual período de 2022, a recarga era de 24,65%.
A situação mais preocupante é a da Banabuiú, terceiro maior reservatório cearense. Segundo o Portal Hidrológico, o equipamento conta com 9,08% de recarga, apenas 1% a mais que em igual período de 2022: 8,08%. Os valores abaixo representam uma dificuldade no aporte observada nos últimos anos, quando o Banabuiú vem perdendo água.
SITUAÇÃO HÍDRICA
Mesmo com bom abastecimento, algumas bacias demonstram um cenário mais confortável que outras ao fim do primeiro mês da quadra chuvosa, de fevereiro a maio. Nas regiões mais ao norte do Ceará, por exemplo, onde ficam as bacias hidrográficas do Acaraú, Coreaú e Litoral, a situação é um pouco mais confortável, com volumes acima de 50%. Já a Bacia do Banabuiú, no Sertão Central do Estado, registram menos de 10% de volume, devido aos repetidos cenários de seca e faltas de chuvas expressivas dos últimos anos.
Diante disso, a Cogerh, que monitora os reservatórios estratégicos do Estado, planeja a operação dos seus reservatórios de acordo com os volumes registrados ao fim da quadra chuvosa. No processo, são feitas reuniões com os colegiados dos Comitês de Bacias e realizadas simulações dos cenários de uso da água em cada região do Ceará. Segundo o diretor de Operações da Cogerh, Bruno Rebouças, o objetivo é garantir uma operação segura para todos e atender as demandas prioritárias estipuladas pela legislação.
