Após a morte da vereadora e presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte no último dia 3 de março, Capitão Vieira (PTB) foi eleito como o novo presidente da Casa. A eleição aconteceu nesta terça-feira, 14, e o parlamentar, que recebeu 12 votos favoráveis, também é oficialmente presidente da Mesa Diretora, cumprindo o biênio 2023-2024.
A votação aconteceu após uma semana com sessões suspensas por conta do luto. Aliado da ex-presidente, Capitão Vieira recebeu apoio do deputado federal Yury do Paredão (PL), irmão de Yanny.
Na eleição, votaram favoráveis os vereadores Raimundo Júnior (MDB), Adauto Araújo (PTB), Capitão Vieira (PTB), Claudionor Mota (PMN), Márcio Joias (UB), Ivanildo Rosendo (DC), Dr. Victor Lacerda (PSB), Jacqueline Gouveia (MDB), Cicinho Cabeleireiro (PSD), Padre Paulo (PSD), Lucas do Horto (MDB) e Nivaldo Cabral (PTB).
Os parlamentares Fábio do Gás (REDE), Janu (REPU) e Beto Primo (PSDB) abdicaram da votação, e William Bazilio (PMN) não compareceu. Em fala de agradecimento, Capitão Vieira homenageou a vereadora Yanny Brena.
“Aonde a senhora estiver, vereadora Yanny, estará com as mãos em cima dessa Casa. Vou defender seu nome e que nenhuma mulher passe pelo que a senhora passou”, disse o parlamentar.
A votação desta quarta, apesar de chapa única, dividiu a Câmara. No começo da semana, do grupo da base do prefeito da cidade, Glêdson Bezerra (Podemos), tentou lançar uma segunda chapa para assumir a Casa. Após as negociações, o nome escolhido foi o do subtenente Edinaldo Moura (PL), suplente de Yanny que atualmente é diretor do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) de Juazeiro do Norte.
Todavia, não a chapa do gestor municipal não surtiu efeito: o político não compareceu à posse e enviou pedido para assumir a função no Legislativo após 15 dias da vacância. Conforme apurou o OPINIÃO CE, o argumento do parlamentar foi de que precisaria fazer a transição para o novo diretor do Demutran.
Em seu discurso, o vereador Capitão Vieira criticou o suplente que não tomou posse. “Antes de entrar já está sendo manipulado e dominado para manobrar querendo atrapalhar o andamento dessa casa e burlar a legislação. Foi convocado e não assumiu porque não quis, mas poderia sim assumir”, criticou.
IMPASSES JURÍDICOS ANTIPATIAS COM O PREFEITO
Devido à morte de Brena, naturalmente, conforme o inciso 3º do artigo 43 do Regimento Interno da Casa, novas eleições à presidência deveriam ocorrer, como prevê a lei. No entanto, a situação tem revelado complicações devido ao passado parlamentar da Câmara.
No artigo 58, o texto indica que o primeiro vice-presidente deve substituir o presidente “no exercício de suas funções, quando impedido ou ausente”, mas não havia previsão sobre a desocupação do cargo.
Devido às renúncias que aconteceram em anos anteriores, os vice-presidentes da Casa imediatamente passaram a ser presidentes. Ainda assim, a equipe jurídica do Parlamento Municipal optou por analisar a situação, sendo responsável por emitir um parecer sobre o assunto e foi o que ocorreu: novas eleições. Beto Primo (PSDB) e Capitão Vieira (PTB) já estavam se articulando para as próximas eleições.
Desde que assumiu a Prefeitura, o prefeito Glêdson enfrenta uma relação conturbada com a Câmara Municipal, como a abertura de quatro Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) contra o gestor em 2021, dentre outras polêmicas.
