Antônio Nilson Pereira Barroso foi condenado a 26 anos e oito meses de prisão por matar a esposa, Eleuda Pereira de Oliveira, com golpes de foice, na zona rural de Quixeramobim, no interior do Ceará. O crime ocorreu em 18 de outubro de 2021, em Telha Velha, distrito de Passagem. A sentença foi publicada nesta semana pelo Tribunal do Júri da 1ª Vara da Comarca de Quixeramobim, no Sertão Central do Estado.
Após atuação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), e com representação do promotor de Justiça Rafael Matos de Freitas Morais, que atualmente responde pela 2ª promotoria de Justiça de Quixeramobim, Antônio Nilson foi sentenciado pelo crime de homicídio com as qualificadoras de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio.
Conforme relatos do MPCE, Nilson proferiu os golpes de foice em Eleuda após uma discussão onde moravam, na comunidade de Telha Velha. A esposa ainda tentou fugir de Nilson por uma estrada que liga o povoado ao município, mas acabou sendo capturada e atingida pelo marido. Após o crime, Nilson fugiu, mas acabou sendo capturado pela Polícia Militar no dia seguinte em uma farmácia no Centro de Quixeramobim.
FEMINICÍDIO NO CEARÁ
Segundo estudo publicado pela Rede de Observatórios da Segurança, lançado na segunda-feira, 6, pelo menos três mulheres por semana foram vítimas de violência no Ceará em 2022. A maior parte das agressões foi cometida pelo cônjuge ou ex. Além disso, ao menos seis ocorrências de feminicídios, no ano passado, foram motivadas por término de relacionamento. O estudo também aponta que pelo menos 31 mulheres foram vítimas de violência sexual no mesmo período.
Conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS), até o dia 23 de fevereiro, 21 mulheres havia sido assassinadas no Ceará. Destas, seis foram feminicídios. Conforme o órgão, o número se iguala ao de fevereiro de 2022, considerado o mais violento desde 2018.
Ainda de acordo com esse levantamento parcial da SSPDS, 272 mulheres foram mortas no Ceará no ano passado.
Um dossiê sobre feminicídio e qualificação dos dados no Ceará entregue na Assembleia Legislativa (Alece) pelo Fórum Cearense de Mulheres, em novembro do ano passado, e apresentado pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa (CDHC), apontou uma discrepância entre os números contabilizados pela SSPDS e o apurados pelos movimentos sociais.
À época da entrega desse dossiê, o deputado Renato Roseno (PSOL) destacou que “a prevenção aos feminicídios e aos casos de violência contra a mulher começa qualificando a informação”, destacou o parlamentar reforçando a importância de fortalecer as instituições que formam a rede de apoio e proteção a essas mulheres no Ceará.
