Ao lado da habitual imagem do Padre Cícero, Juazeiro do Norte também revela outra figura icônica nordestina: Patativa do Assaré. O poeta popular, que neste domingo, 5, marca os 114 anos de seu nascimento, está presente em cordéis, xilogravuras e esculturas nos principais pontos de cultura e artesanato do Cariri. Seu legado é homenageado com forte presença em dois equipamentos marcantes: o Centro de Cultura Popular Mestre Noza e a Lira Nordestina.
Apesar de ter nascido a cerca de 100 quilômetros da “capital do Cariri”, a forte cultura popular que pulsa na terra do Padre Cícero não esconde a forte influência do poeta. “É uma inspiração para todos nós. Nunca mais vai ter outro Patativa, outro Luiz Gonzaga. É a cada 100 anos que aparece uma pessoa dessas. Eu agradeço por ainda ter participado dessa vida e feito parte de alguns momentos dele”, confessa o xilógrafo José Lourenço.
O artesão frequenta a Lira Nordestina desde a adolescência, que foi durante boa parte do último século a principal impressora de literatura de cordel do país. Foi lá que conheceu Patativa do Assaré, no final da década de 1990, que visitava e conversava frequentemente com o cordelista Expedito Sebastião da Silva. O poeta, inclusive, foi o responsável por rebatizar a gráfica, que antes se chamava Tipografia São Francisco.
Em 1999, José Lourenço decidiu conversar com o poeta e pedir autorização para criar um álbum de gravuras em madeira. A ideia era contar a vida do artista assareeense em xilogravuras, trabalho que foi chamado de “Vida e Poesia”. O contato foi articulado pelo professor e escritor Gilmar de Carvalho, já falecido, que o levou até Assaré. No entanto, a visita não foi como ele esperava.
“Eu já tinha feito alguns esboços, mas ele começou a recitar poemas, como em defesa da reforma agrária, que tive que começar de novo. A força do Patativa era tão grande, que os desenhos que eu tinha começado não tinham nada a ver com a figura que ele transmitia na poesia”, lembra Lourenço. Após refazê-lo, o “Vida e Poesia” nasceu no ano 2000 com 18 xilogravuras marcantes, alguns deles inclusive estão expostos no Memorial do Patativa do Assaré, na sua terra natal.

TRABALHOS PUBLICADOS
Apesar de grande poeta, Patativa escreveu poucos cordéis em vida. Ao todo, a Lira Nordestina catalogou e publicou 12 trabalhos, que incluem títulos como “Aladim e Lâmpada Maravilhosa”, “O Cachorro Jupi” e “Saudação à Juazeiro”, este último homenageando a terra do Padre Cícero. “Mas ele segue muito presente no meu trabalho e de outros colegas aqui na Lira Nordestina. Os turistas compram muito cerâmicas, cordéis e xilogravuras com ele”, confessa o xilógrafo.
A figura de Patativa do Assaré também segue viva no Centro de Cultura Mestre Noza, um dos principais destinos turísticos da cidade por conta da grande presença de artesãos de madeira. Ao todo, são mais de 100 envolvidos. Ali, o poeta é inspiração para esculturas em madeira de imburana, cedro, entre outros.
O artesão Beto Soares da Silva, por exemplo, criou peças que valorizam outro aspecto da vida do icônico poeta: a agricultura. Nela, Patativa aparece, por exemplo, caminhando para a roça, levando cabaça de água na cabeça e colhendo legumes. Outro trabalho seu que se tornou popular é a coleção “Os grandes nomes do Nordeste”, que o traz ao lado do Padre Cícero, Frei Damião, Luiz Gonzaga, Lampião e Antônio Conselheiro. “Sempre vendo muitas esculturas dele. É uma referência para o nosso trabalho”, defende o escultor.

