Primeira instituição museológica do Estado e símbolo da cultura cearense, o Museu do Ceará segue sem prazo de reabertura para visitação pública. Fechado desde 2019 para uma reforma emergencial na sua parte estrutural definida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a restauração do equipamento atualmente passa por uma fase de liberação da licitação da obra, que possui investimento de R$4 milhões, divididos entre recursos do tesouro estadual e recursos federais.
De acordo com informações da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) a obra de restauro do museu, que abrange também a modernização do equipamento, o qual, neste ano, completa 91 anos de existência, está sendo concluída. Contudo, a reabertura do espaço para visitação pública às exposições segue indefinida. Em nota, a Secult explica que, inicialmente, o Palacete Senador Alencar, prédio que possui 151 anos e é sede do Museu desde 1932, passaria por uma reforma de emergência que atenderia pontualmente problemas detectados pelo Iphan na sua estrutura. “Desde então (início da reforma), foi realizado também um projeto de restauro mais profundo e detalhado, para modernizar o equipamento”, explica o órgão.
A reforma é estimada em R$4 milhões, que estão divididos entre recursos do tesouro estadual e verbas do edital de chamamento para seleção de projetos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), pelo qual a Secult foi chamada para a realização da obra de restauro e requalificação da edificação histórica que abriga o Museu do Ceará. A obra busca possibilitar não somente conservação e preservação do Palacete Senador Alencar, como também a modernização para garantir a acessibilidade definida pelas atuais orientações nacionais aos museus. Além disso, os espaços dos circuitos expositivos da instituição também estão sendo ampliados.
Com a suspensão das atividades do Museu para o público, a equipe técnica responsável pelo acervo está trabalhando na reestruturação e organização das peças. Os materiais que fazem parte da coleção estão em processo de transferência para o Anexo Bode Ioiô. Mesmo com a reforma, os responsáveis pelo Museu planejam, atualmente, atividades no espaço que envolvam o público geral. Segundo a Secult, “apesar do seu fechamento ao público às exposições, o Museu firmou parcerias para realização de palestras, cursos e exposições; eventos on-line; atendimento à pesquisadores/as, além de manter seu trabalho interno de salvaguarda do Acervo”.
Patrimônio nacional
O Palacete Senador Alencar, Sede oficial do Museu do Ceará, possui 151 anos e é um bem material tombado pela União, através do Iphan, em 1973. Neste ano, o equipamento museológico caminha para cinco décadas de seu tombamento e 91 anos de existência. No prédio, antes do Museu, funcionava a Assembleia Legislativa, ainda no século XIX.
Com acervo variado, fruto de compras e de doações particulares e de instituições públicas, o Museu conta com moedas, medalhas, quadros, móveis, peças arqueológicas, artefatos indígenas, bandeiras e armas. Há também peças de arte popular e uma coleção de cordéis publicados entre 1940 e 2000 (950 exemplares). Alguns objetos se referem a fatos históricos, como a escravidão, o movimento abolicionista e movimentos literários, como a “Padaria Espiritual”. No acervo, são mais de sete mil peças, que contam tanto a história de Fortaleza, quanto a história do Ceará.
