Durante a votação do pacote econômico-administrativo do governador Elmano de Freitas (PT), a oposição, ainda que pequena, mostrou-se coesa durante a apreciação de todas as mensagens. O grupo de nove parlamentares votou junto, contra o governador, em todos os temas. Estiveram juntos: Dr. Oscar Rodrigues (UB), Alcides Fernandes (PL), Antônio Henrique (PDT), Carmelo Neto (PL), Cláudio Pinho (PDT), Dra. Silvana (PL), Felipe Mota (UB), Queiroz Filho (PDT) e Sargento Reginauro (UB).
A votação foi um demonstrativo de como deve se articular a oposição de Elmano nos próximos anos, bem como traz marcas da disputa pela Prefeitura de Fortaleza, que divide PT e PDT há mais de 10 anos.
Na sessão da última quarta-feira (14) da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), deputados egressos da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) reavivaram o debate sobre a taxa do lixo de Fortaleza durante a votação dos projetos econômicos do governo do estado. A discussão, protagonizada pela deputada Larissa Gaspar (PT) e pelo deputado Antônio Henrique (PDT), foi repleta de troca de acusações e demonstrações de ressentimento.
O ex-presidente da CMFor Antônio Henrique, por sua vez, é um dos nomes do PDT que não se juntou à base do governador na Casa. Junto dele, Queiroz Filho e Cláudio Pinho, também do PDT, representam o grupo do partido mais ligado ao ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), que foi derrotado por Elmano nas eleições estaduais de 2022. O trio votou contra o governo em todas as oportunidades e teceu críticas às medidas.
Na mesma linha de adversários declarados, Queiroz Filho acusou o governador de usar a reforma administrativa para alocar aliados que o apoiaram na disputa pelo Governo do Estado e questionou a tese de que o aumento das secretarias não teria impacto no orçamento. “O que a gente vê aqui é um pacote de criação de cargo e emprego”, disse.
Passando para a discussão sobre o aumento da alíquota do ICMS, o bloco de oposição ganhou mais quatro nomes, formando placar de 13 contrários. Juntaram-se ao grupo: Apóstolo Luiz Henrique (Republicanos), David Durand (Republicanos), Emília Pessoa (PSDB) e Marta Gonçalves (PL).
Anteriormente, o grupo tentou adiar a votação dos projetos do Executivo por meio de requerimento apresentado pelo deputado Sargento Reginauro. Ele apresentou dois pedidos, para adiar a votação dos projetos sobre ICMS e a votação da reforma administrativa. Os dois pedidos foram derrubados com apenas 11 votos favoráveis. A bancada do União Brasil ainda pretende discutir como reagir à aprovação das matérias após o Carnaval.
O deputado estadual Cláudio Pinho, por sua vez, também apresentou um recurso de plenário para escalonar o aumento da alíquota em dois anos, mas foi rejeitado pela maioria dos parlamentares.
