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Catadores relatam insegurança e roubos após conflitos entre gangues no Jangurussu

Foto: Repodrução / Facebook

A Associação de Catadores do Jangurussu (Ascajan), em Fortaleza, denuncia a falta de segurança no local após série de roubos. Desde janeiro, após conflitos territoriais entre gangues rivais, a associação precisou fechar por questões de segurança, o que colocou o espaço na mira de assaltantes. Conforme relatado ao OPINIÃO CE, foram dois arrombamentos no espaço e a perda de tudo que havia na cantina, entre eletrodomésticos, como a geladeira e o freezer; panelas e até um botijão de gás. Os assaltantes deixaram apenas o piso do local.

O último arrombamento aconteceu na noite da última quinta-feira, 9. Os bandidos levaram, conforme relatado à reportagem, o ar-condicionado. Em nenhum dos casos houve registro de Boletim de Ocorrência (BO) por parte da Associação.

Segundo uma das associadas, que optamos por não identificar para garantir sua segurança, nos dois episódios, somente na manhã do dia seguinte foram percebidos os danos causados. Na parte da noite, ninguém fica no local. Ainda segundo ela, na semana anterior, em 2 de fevereiro, um posto da Prefeitura de Fortaleza que se localiza no espaço também teria sido arrombado.

Cícero Sousa, representante do movimento nacional e presidente da Rede Estadual de Catadores, destaca que os conflitos territoriais no Jangurussu foram os responsáveis pelo clima de insegurança gerado entre os profissionais que atuam com a reciclagem. Segundo o representante, após a queda de um muro que dividia lados rivais na comunidade, os trabalhadores ficaram amedrontados.

De acordo com o apurado pelo OPINIÃO CE, associados chegaram a buscar ajuda da Prefeitura de Fortaleza e de outros órgãos públicos que pudessem garantir o retorno seguro ao trabalho, mas não houve retorno à demanda. Diante da situação, os catadores resolveram parar suas atividades.

Ascajan

A Ascajan tem mais de 60 famílias que dependem da coleta seletiva dos materiais recicláveis. No local onde hoje é a Associação, funcionava o antigo aterro sanitário, criado ainda na década de 70 e desativado no fim dos anos 90. O aterro foi transferido para Caucaia, na Grande Fortaleza. Ainda assim, os resíduos coletados pela associação passam por um transbordo, que é a passagem desses materiais coletados em caminhões compactadores com capacidade de até 15m³ para caminhões com maior capacidade de carga.

Segundo Cícero Sousa, os catadores da Ascajan precisam de garantias de que podem exercer o seu trabalho na região sem correr riscos, além de precisarem contar com a Prefeitura na prospecção de políticas públicas que tragam segurança.

Resposta

Questionada pelo OPINIÃO CE, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Militar do Ceará (PMCE) daria uma resposta ao caso. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não tivemos retorno. O órgão de segurança destacou, em nota, a importância do registro de ocorrência para o desenvolvimento das investigações. O procedimento pode ser feito em qualquer delegacia da PC-CE, inclusive por meio da Delegacia Eletrônica, que funciona diariamente, 24 horas por dia.

Também procuradas pela reportagem, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma) e a Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação de Fortaleza (Citinova), orgãos ligados à Prefeitura de Fortaleza que atuam com associações de materiais recicláveis, informaram que o caso é de responsabilidade dos órgãos de segurança pública. Ainda conforme a Seuma e a Citinova, as associações de catadores são entidades independentes da Prefeitura.