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Batata inglesa e cenoura estão entre os alimentos com maior alta no IPCA

Cálculo é do IBGE | CRÉDITO: BEATRIZ BOBLITZ

Registrando a maior alta no grupo de Alimentação e bebidas, a Inflação oficial – medida pelo Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – sobe 0,53%, em janeiro de 2023. Entre os destaques de produtos com acréscimo nos preços, estão a batata inglesa, cenoura, tomate, frutas em geral e o arroz, conforme análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de se tratar do quarto mês seguido de alta no IPCA, em comparação com dezembro de 2022 (0,62%), o Índice de janeiro apontou uma desaceleração. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,77%, abaixo dos 5,79% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Em janeiro do ano passado, a variação foi de 0,54%. De acordo com os dados do IBGE, a alta dos preços foi puxada pelos grupos Alimentos e Bebidas, que registrou alta de 0,59% e contribuiu com 0,13 ponto percentual na alta do IPCA, o maior impacto do mês entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados. Com os aumentos mais significativos nos preços, a batata inglesa registrou variação de 14,14%, seguida da cenoura, com 17,55%. O tomate, frutas em geral e o arroz, vêm logo atrás, com 3,89%, 3,69% e 3,13%, respectivamente. Já os destaques de queda ficaram com cebola (-22,68%), frango em pedaços (-1,63%) e carnes (-0,47%).

O gerente da pesquisa do Instituto, Pedro Kislanov, explica que “a alta da batata e cenoura se justifica pela grande quantidade de chuvas nas regiões produtoras. Por outro lado, a queda no preço da cebola, item que teve alta de mais de 130% em 2022, é por conta da maior oferta vindo das regiões Nordeste e Sul”.

Das 16 capitais pesquisadas, 14 tiveram alta do IPCA em janeiro. O maior resultado foi em Salvador (1,09%), onde pesaram as altas na energia elétrica (8,07%) e na gasolina (6,34%). No ranking, a Capital cearense se encontra em terceiro lugar, com alta de 0,86%. Para o fortalezense Jorge Rocha, os valores dos produtos alimentícios têm afetado bastante o dia a dia. Por trabalhar longe de casa, na maior parte dos dias da semana, Rocha diz precisar comprar quentinhas de restaurantes próximos ao seu local de trabalho.

Segundo ele, “os preços de mercado têm impactado fortemente o consumidor final, dificultando compras básicas.” A variação da alimentação no domicílio (0,60%) ficou abaixo da registrada em dezembro (0,71%). Na alimentação fora do domicílio (0,57%), a maior contribuição veio do lanche (1,04%).

A refeição, por sua vez, teve alta de 0,38%, acima do mês anterior (0,19%). Os preços de refrigerantes e água mineral (0,81%) e a cerveja (0,43%) também subiram. Rocha também relata que as idas ao supermercado têm necessitado de muito mais planejamento financeiro. Questionado sobre qual produto mais tem feito falta em suas compras, ele responde um dos destaques de acréscimo no preço de janeiro: a batata inglesa. “Gosto de batata porque é um ingrediente que pode ser feito de várias maneiras, compõe muitas receitas práticas também. Porém, estou evitando comprar pelo fato de só encontrar preços do quilo bem caros”, esclarece Rocha ao compartilhar que, em sua última compra, pagou aproximadamente R$ 10 pelo quilo da batata.

INPC

O IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), apura a variação da cesta de compras para famílias com renda de até cinco salários mínimos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), registrou inflação de 0,46% em janeiro deste ano. A taxa ficou abaixo da observada em dezembro (0,69%).

No acumulado de 12 meses, o INPC registrou alta de 5,71%, apresentando, assim, taxas mais baixas do que as observadas pelo IPCA. Em janeiro, os produtos alimentícios pesquisados pelo INPC tiveram inflação de 0,52%, variação menos intensa do que em dezembro (0,74%). O mesmo aconteceu com os produtos não alimentícios, cuja inflação passou de 0,67% em dezembro para 0,44% em janeiro. Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o INPC registra alta de 0,73% no mês passado.

Moradora da Capital, Miriam Fonseca diz sentir o observar o aumento dos preços toda vez que vai ao supermercado. Para ela, que se considera uma “cozinheira de mão-cheia”, os produtos que mais fazem falta na hora das compras são as carnes vermelhas e o queijo. “Tenho evitado comprar carne para o dia a dia, e dando preferência ao frango ou peixe. Também gostamos muito de queijo lá em casa, ele dá um toque a mais em algumas receitas. Infelizmente, estamos precisando dar uma segurada nesses dois ingredientes, principalmente”, relata.