Apesar de distantes, as Eleições 2024 já estão movimentando peças do xadrez da política local. Há uma incógnita: se a figura do governador Elmano de Freitas (PT) será, de fato, decisiva na escolha dos fortalezenses para o próximo prefeito, se as composições insurgentes nos últimos anos, como Capitão Wagner (União Brasil), terão peso ou mesmo se o consolidado Roberto Cláudio (PDT) serão protagonistas em maior margem. José Sarto (PDT), prefeito da Capital, também se movimenta para seguir no cargo eletivo mais importante da Cidade.
Na avaliação de Gabriel Petter, cientista político e educador, as eleições presidenciais em outubro do ano passado trouxeram um cenário bastante diferente. O pesquisador acredita na influência que Camilo Santana (PT) representa agora, caso mantenha uma base de apoio significativa no Ceará. Izolda Cela (Sem Partido), fortalecida em 2022, é também um nome como cabo eleitoral, diz.
“O terceiro elemento é Elmano de Freitas. Anos atrás, Elmano foi derrotado por Roberto Cláudio nas eleições para prefeito de Fortaleza. Ainda assim, nós temos esses três atores que saíram bastante fortalecidos”. Também para Petter, o governador do Estado, todavia, ainda deve “provar a que veio antes mesmo de ser” uma força de liderança que possa influenciar nas eleições de 2024.
Com relaçao a Capitão Wagner (União Brasil), o educador avalia que há uma base significativa em torno dele. “Com certeza, será um nome que irá se candidatar à Prefeitura de Fortaleza em 2024”. À época da derrota no resultado nas urnas, o ex-deputado federal deixou em aberto a possibilidade de disputar a Prefeitura local nas eleições de 2024.
Análise
Emanuel Ramos, sociólogo e mestre em psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor), vê o cenário para o próximo ano como incerto, mas afirma que alguns cenários já podem ser definidos.
“É importante perceber para onde vai o wagnerismo (sic), na figura do Capitão Wagner, que sempre foi um político muito camaleônico, basta ver sua trajetória desde o início até hoje. Ele cola no bolsonarismo, mas de alguma forma se esquiva também”. Outro movimento político necessário a se avaliar, na visão do sociólogo, é a influência que ainda exercerá ou não o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Quem são os herdeiros do bolsonarismo? Nomes como André Fernandes, Heitor Freire e até mesmo o Senador Eduardo Girão”, pontua Ramos.
André Fernandes – já citado em documento entregue no último dia 2 ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por supostamente incitar os atos criminosos na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro deste ano – foi eleito deputado federal com 229.509 votos.
Em 2018, o parlamentar já havia se destacado no cenário político ao ser o deputado estadual mais votado do Estado, com 109.742 votos, aos 20 anos. Em seu perfil no site da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o agora deputado federal diz que sempre defendeu “a família, os bons costumes, a polícia, o cidadão de bem, a legítima defesa, lutando pela redução de impostos, contra a ideologia de gênero, o aborto, as drogas, o politicamente correto e as inversões de valores”.
Heitor Freire (União Brasil) registrou sua presença em cerimônia de posse do governo Lula (PT). O então parlamentar rompeu com Bolsonaro ao longo do governo, após o ex-presidente deixar o PSL, mas segue firme na oposição ao PT.
