De acordo com a última pesquisa mensal da Cesta Básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no fechamento de 2022, o comprometimento do salário mínimo com alimentos básicos foi o maior em 17 anos de análise. Na prática, os moradores da Região Metropolitana de Fortaleza tiveram que desembolsar R$ 653,99 – 58,33% do salário mínimo – na compra dos 12 produtos que compõem a cesta básica. O valor representou uma inflação de 3,70% a partir da alta nos preços de 11 desses itens.
Entre os alimentos que sofreram maior variação, estão a farinha, o leite e a banana, com 51,17%, 32,02% e 29,25%, respectivamente. Conforme dados do Departamento Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza), os preços registrados em supermercados da Capital relataram alterações consideráveis. O quilo da farinha demonstrou variação de 38,25%, sendo o menor preço de R$ 5,49 no Assai Atacadista, e o maior de R$ 7,59 no SuperLagoa. Já o litro de leite apresentou variação de 25,03%, com o menor preço de R$ 7,19 no Atacadão, e maior de R$ 8,99 no Mercado Costa Mendes.
Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), economista Davi Azim, a alta dos preços acontece pois “o estado do Ceará não é vocacionado com relação à agricultura”. Ele explica que muitos produtos agrícolas e pecuários são importados de outros estados para poder atender a demanda cearense, o que “acarreta a elevação do preço final para poder custear a importação.”
Além disso, o vice-presidente atribui o crescimento dos preços à questão tributária do Brasil. “Nós somos um país que tributa muito no consumo. O estado do Ceará, especificamente, tem uma carga tributária que não condiz com o poder de compra das pessoas, não condiz com a renda média do cearense, e não condiz também com a melhoria dos custos para os empresários e produtores, o que recai fortemente no preço final ao consumidor”, elucida Davi.
Inflação
Segundo o Boletim Focus, divulgado na última segunda-feira (16), o cenário para a inflação brasileira neste e nos próximo ano continua em tendência de alta. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2023 subiu de 5,36% para 5,39%, contra 5,17% há um mês. Para 2024, horizonte que fica cada vez mais relevante para a estratégia de convergência à inflação do Banco Central (BC), a projeção ficou estável, contudo, em 3,70%, de 3,50% há quatro semanas.
Azim esclarece de que forma a alta da inflação significa, também, a alta dos valores aos consumidores: “Com a elevação da inflação, é necessário ter um controle, que são as taxas de juros básicas (Selic). Taxas de juros mais caras, a Selic mais elevada, sempre traz para o cidadão produtos mais caros, pois, quando elevamos a taxa da Selic, o crédito fica mais caro, o financiamento fica mais caro, impactando, assim, a produção alimentícia.”
Na visão do economista a solução para que o consumidor não sofra mais com o aumento de preços, está em uma possível reforma tributária. “Como está difícil conseguir, nesse momento da economia, que o salário mínimo acompanhe a inflação de uma forma mais estável, é complicado fazer esse ajuste de estabilização. Vivemos um cenário onde é preciso se pensar bastante na questão tributária. A reforma tem que ser urgente e precisa desonerar a cadeia produtiva”, finaliza.
