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Relatório mais atual do Ipea traz alimentos e bebidas como responsáveis pela inflação

O mais recente levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta, na análise por grupos, “saúde e cuidados pessoais” e “alimentos e bebidas” com as maiores contribuições para a inflação de dezembro do ano passado. No caso da saúde, para as famílias de renda alta, o que mais pesou foi o reajuste de 1,2% dos planos de saúde, enquanto, para as classes de renda mais baixa, o aumento de 3,7% dos produtos de higiene pessoal representou o principal foco da pressão inflacionária.

Em relação aos alimentos, mesmo com a deflação dos leites e derivados (-1,7%) e das frutas (-1,6%), as altas dos cereais (4,5%), dos tubérculos (5,7%) e dos farináceos (1,4%) geraram um forte impacto sobre a inflação do último mês do ano, sobretudo das classes de menor renda. O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda relacionado ao mesmo período registrou variação entre 0,50% para a classe de renda alta e 0,71% para as famílias de renda muito baixa, na comparação com o mês de novembro. No acumulado do ano, até dezembro, todas as faixas de renda apresentaram desaceleração em relação ao ano anterior, com altas variando de 5,59% (renda
média-baixa) a 6,83% (renda alta).

INFLAÇÃO DE ALIMENTOS
Também na sexta-feira, 13, a nota Inflação de Alimentos: como se comportaram os preços em 2022 troxe a análise do grupo alimentação e bebidas, destacando a alimentação no domicílio, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA fechou o ano com alta de 5,8%, sendo que o grupo alimentação e bebidas respondeu por quase metade desse resultado, o que reflete a volatilidade e o grau de importância do grupo na cesta de consumo da população do país. Dos nove grupos de produtos e serviços comercializados no varejo que compõem o IPCA, o grupo alimentação e bebidas foi o que apresentou maior peso na composição do índice agregado (21,9%) em 2022.

A alimentação no domicílio registrou alta de 13,2% no período, uma contribuição de 1,96 ponto percentual na variação do IPCA geral. Por sua vez, a alimentação fora do domicílio teve 7,5% de variação acumulada, e contribuiu com 0,42% na variação do IPCA geral.

Para o coordenador de Crescimento e Desenvolvimento Econômico na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac), José Ronaldo Souza Júnior, alguns fatores específicos podem explicar o comportamento desses preços. Segundo ele, “fenômenos climáticos adversos e altas de custos afetaram negativamente importantes culturas ano passado, fatores que, somados aos impactos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia sobre produtos como o trigo, podem explicar em grande parte o comportamento dos preços dos alimentos em 2022.”

Na análise de todos os itens da alimentação no domicílio, leites e derivados foi o único que teve peso alto (12,4%) e alta variação em 2022 (22,1%). De acordo com o pesquisador associado na Dimac, Diego Ferreira, “leites e derivados foi o item que mais contribuiu com a inflação de alimentos, devido à restrição na oferta de leite, à elevação dos custos de produção, ao efeito do fenômeno La Niña sobre a disponibilidade de pastagens e à redução dos investimentos no setor. Tudo isso contribuiu para a queda no potencial de produção leiteira.”