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Melhor esperar que o rubicão dê pé

“Consumatum est” – foram as últimas palavras de Jesus Cristo, antes de expiar e significa “está tudo consumado” e pode ser usada a propósito de uma grande catástrofe, ou de uma vida que acaba de extinguir-se ou após o resultado controverso de uma disputa entre deuses e demônios. Em verdade vos digo – eu mesmo: “alea jacta est” parodiando a grafia medieval da famosa frase que teria sido dita por Júlio César, antes de atravessar o rio Rubicão.

Na grafia clássica, a escrita é ‘alea iacta est’, cuja tradução mais conhecida é A SORTE FOI LANÇADA. E está mesmo. Quanto ao Rubicão, a “travessia do Rubicão” ou a frase “cruzando o Rubicão”, “atravessou o Rubicão”, é uma expressão idiomática que significa que se está passando por um ponto sem retorno.

Seu significado vem da alusão à travessia do Rubicão por Júlio César no início de janeiro de 49 a.C. No nosso caso, dois atravessaram o Rubicão; um foi espairecer, digamos assim. Nos Estados Unidos, sozinho, sem a madame. O outro, atravessou um riachinho facilitado pelo timoneiro cúmplice e aboletou-se na escada do palácio dos deuses tupiniquins ansiosos pelos holofotes, muita fama e salários cheios de fortificantes. O Rubicão virou piscinão e a galera está festejando.

Realmente, a sorte está lançada, até mesmo para os renitentes, teimosos ainda em vigília inócua nas portas dos quartéis silenciosos onde as corneta sras só tocam para anunciar alvoreceres preguiçoso ou anoiteceres cansativo e sem perspectivas de “avante”, “avancem” ou esperado “atacar”. Já cruzaram o Rubicão e nada. A picanha mandou lembrança, e a cerveja ainda é pouca. O oportunismo dos incapazes conhecidos procura velhos lixos conhecidos para empavonar as culpas dos perdedores.

Aqui e ali, afora as evidências maquiadas para fortalecer as acusações sobre o gerente geral defenestrado, as pendengas geradas no terreiro da grande tribo cheia os caciques; querem seus cocares e tambores para continuar no agito da zoeira. A prateleira das desculpas por fracassos anunciados está cheia, mas a fila da turba de incompetentes dobra a esquina e faz balbúrdia. O Janjo está confuso e mais rouco. O coronel ainda curte a ressaca pelo inconformismo esquálido que mingua alhures. O conselho é não voltar agora e não incentivar a galera para torcer contra.

Gols contra já foram marcados. O jogo mal começou e marcar pênalti no meio do campo dá muito na cara. Todo mundo é índio conhecido e a selva é conhecida. As onças são velhas conhecidas e as raposas estão desanimadas para cair em cima das galinhas fáceis. Raoni está de beiço caído e seu discurso é inaudível. Não se deve torcer contra o velho time. Maduro não veio, Dirceu não entrou, mas mandou o filho. Entre mortos e feridos escaparam todos.

Alexandre, o ex-grande ficou menor. A hora é de condenar por velhas e manjadas culpas alheias, pois as de casa estão debaixo do tapete. Enfim, nada de torcer contra ou de sonhar com aquela de que “o mal por si se destrói”. Que mal? Não precisa torcer contra, repito, sobre terras tupiniquins são todos anjos e demônios. É só ficar quieto, de longe, esperando a volta de Jesus ou que o Rubicão dê pé.

*Coluna de Antonio Capibaribe (antonio.capibaribe@opiniaoce.com.br), colunista do GRUPO OPINIÃO CE