Após o período mais grave da pandemia, o Núcleo de Pesquisas Aplicadas Direito, Infância e Justiça (Nudijus), da Faculdade de Direito (Fadir) da Universidade Federal do Ceará (UFC), retomou em 2022 o trabalho com adolescentes internos no Sistema de Atendimento Socioeducativo do Estado do Ceará. São oficinas inspiradas nas redações de ex-internos que participaram de concurso nacional promovido pela Defensoria Pública da União (DPU). As redações versam sobre direitos humanos e são abordadas de forma artística nesses encontros.
As atividades são realizadas pela coordenadora do núcleo, Raquel Coelho de Freitas, da UFC; pela psicóloga e assessora da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Eveline Perdigão; e pelo artista plástico Wanderson Petrova, na orientação de desenhos e pinturas em tela. Nas oficinas, os jovens interpretam as redações, refletem e discutem sobre direitos humanos, normas internacionais nessa área, Estatuto da Criança e do Adolescente e direitos e responsabilidades.
A partir desse trabalho, são estimulados a transformar as redações em arte. Raquel informa que foram realizadas oficinas na unidade de Juazeiro do Norte, com 25 adolescentes, e, atualmente, estão sendo realizadas oficinas com adolescentes da unidade feminina em Fortaleza (Aldaci Barbosa), com cerca de 20 jovens. Com a aproximação do recesso natalino, a equipe fará uma pausa e retorna em janeiro para a finalização dos trabalhos em outra unidade de Fortaleza, desta vez, masculina.
Raquel relembra que o trabalho das oficinas se originou de um concurso nacional de redações promovido pela Defensoria Pública da União (DPU), com a participação de jovens socioeducandos de todo o Brasil. No Ceará, as atividades das oficinas tiveram início em 2018, quando o edital do concurso teve como tema Mais direitos, menos grades.
Nesse edital, relembra ela, três adolescentes socioeducandos do Estado foram premiados nacionalmente. Das oficinas realizadas naquela edição, resultou o livro Liberta, publicado pela Imprensa Universitária em 2020.
No edital de 2019, quando a DPU lançou o concurso sobre “Direitos humanos”, um número maior de jovens cearenses – cerca de 80 – participou da disputa. As oficinas foram iniciadas com esse tema, mas as atividades tiveram de sofrer paralisação por conta da pandemia de covid-19, que começou no Ceará no início de março de 2020, e somente neste ano foram retomadas.
As oficinas deste ano vão resultar na edição do livro intitulado Recomece, de autoria dos adolescentes. Da publicação, vão constar diálogos sobre direitos humanos que eles tiveram com professores, advogados, promotores e outros representantes da rede de proteção da infância do Ceará.
“Com o livro, pretendemos também aumentar a autoestima dos jovens, que já demonstram empolgação em ser autores de livros de um trabalho que perpetuará seus pensamentos. Os jovens querem mostrar à sociedade que têm muita beleza dentro de si e um senso de justiça que precisa ser amadurecido. Eles sonham e têm projetos de vida tanto quanto os filhos e filhas dos seus leitores”, finaliza Raquel.
