Com a confirmação desta última quinta-feira, 22, do nome de Camilo Santana (PT) à frente do Ministério da Educação do governo do presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a governadora Izolda Cela (sem partido) indicou sua inclinação, ao lado do ex-governador, para assumir a Secretaria de Educação Básica da pasta. Ela conta que recebeu convite tanto do presidente eleito, quanto do futuro ministro.
“Eu estou aí com essa convocação e, sim, minha motivação de poder ajudar, poder contribuir aquilo que me for possível, existe, claro. Sair do Ceará não era plano, envolve mudanças de ritmo, de dinâmica, mas, assim, tem essa convocação aí muito importante, que eu considero pra mim uma honra também”, disse a gestora durante evento na quinta, 22, na Capital.
Inicialmente cotada para assumir o MEC, Izolda gerou grande expectativa, sobretudo no dia da diplomação de Lula, quando chegou ao lado do presidente eleito. A governadora compareceu à sede do Tribunal Superior Eleitoral, no último dia 12 de dezembro, na comitiva da chapa eleita Lula e Geraldo Alckmin (PSB).
A disputa pelo MEC, no entanto, não estava encerrada. O PT queria o deputado Reginaldo Lopes (MG), atual líder da bancada do partido na Câmara. A pedido de Lula, Lopes desistiu de ser candidato ao Senado para facilitar o acordo com o PSD de Gilberto Kassab, em Minas Gerais.
Em paralelo, o senador eleito Camilo Santana foi lançado para assumir a pasta como um nome de consenso, já que, filiado ao PT, diferente de Izolda, enfrentaria menos resistência do partido. Camilo, por sua vez, havia manifestado interesse em assumir outros ministérios; no seu radar estavam as pastas de Cidades ou Desenvolvimento Regional. A nomeação de Izolda no MEC era defendida até mesmo por Camilo, mas o nome da governadora encontrou resistência em setores do PT devido à proximidade da governadora do Ceará e seu marido, Veveu Arruda, ex-prefeito de Sobral, à Fundação Lemann.
A organização promove iniciativas para a educação pública e foi fundada pelo empresário Jorge Paulo Lemann. Além de bom trânsito entre as fundações, Izolda contava também com simpatia dentro do grupo Educação do Gabinete da Transição. Foi secretária de Educação em Sobral e no Estado, antes de se tornar vice Camilo nas duas gestões, e assumir o governo do Ceará em abril.
REUNIÃO ENTRE CAMILO E IZOLDA CELA
Antes de aceitar o convite, Camilo teve um encontro com Izolda, no último dia 15. O ex-governador do Ceará teria recusado inicialmente o convite porque defendia o nome da atual governadora para a pasta. Izolda teria sido indicada a Lula por Camilo desde que ele se elegeu presidente. Seu nome havia sido amplamente aceito por setores da educação, até uma ala do PT começar movimentos contrários. A mandatária chegou a ser elogiada pelo próprio presidente eleito como “educadora de qualidade.”
Durante as negociações, interlocutores do PT no Ceará garantiam apenas que o Estado estaria representado no primeiro escalão do governo Lula. No entanto, a possibilidade de isso acontecer em dois ministérios, com Camilo e Izolda assumindo diferentes pastas, nunca foi sustentada.
Izolda, por sua vez, parabenizou o ex-governador pela nomeação e classificou a indicação como promissora. “Acho extremamente promissor e positivo ter uma pessoa como o Camilo, com a experiência que ele teve ao longo desses anos de gestão, e de uma gestão que colocou a educação como um projeto prioritário não só de governo, mas de Estado. E seguiu avançando muitíssimo com um reconhecimento nacional, não porque nós estamos a mil maravilhas, não, mas porque nós temos avanços que se destacam no cenário nacional”, afirmou.
“Então, isso vem com certeza contribuir com projeto de país que precisa olhar com responsabilidade pra educação, especialmente a educação básica”, concluiu. Questionada se pretende se filiar ao PT, a governadora, que atualmente está sem partido, foi enfática ao responder que “não.”
Na manhã desta última quinta, foram anunciados um total de mais 15 nomes que serão ministros a partir de 1º de janeiro de 2023, entre eles o senador diplomado Camilo Santana. Havia ainda expectativa para o anúncio de Simone Tebet (MDB), mas o nome da senadora não foi oficializado.
