Divulgada nesta última quarta-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Nacional por Amostragem (PNAD) Contínua: Atenção Primária à Saúde aponta como abaixo do recomendável a qualidade das consultas médica oferecidas a crianças de menos de 13 anos no Brasil.
Segundo dados do IBGE, o Ceará soma apenas 4,08% (1.160 crianças) dos atendimentos de saúde primária, por último local de atendimento, no ano de 2022. A unidade da federação cearense ficou atrás dos dois estados mais populosos do Nordeste: Bahia e Pernambuco, com 7,10% (2.018 crianças) e 4,15% (1.210 crianças) dos atendimentos de saúde primária por último local de atendimento, nessa ordem.
De acordo com a projeção da população da instituição, o total de habitantes do Ceará, Pernambuco e Bahia são, respectivamente, 9.316.013, 9.674.793 e 14.985.284 pessoas.
Dentre os principais motivos para os últimos atendimentos médicos estão consultas de Rotina: revisão, check-up, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento;
Problemas Respiratórios ou de Garganta: gripe, sinusite, amigdalite, faringite, asma e bronquite; e Outros motivos: febre, diarreia, vômito ou outros problemas gastrointestinais; acidentes, fratura, lesão, machucados e alergias. No Ceará, do total de 1.160 crianças, 308 buscaram atendimento para consultas de rotina, e 464 por conta de problemas respiratórios ou de garganta. As demais 388 crianças procuraram outros serviços.
NÚMEROS DO BRASIL
Com escala que vai de 0 a 10, o PCATool, novo indicador do estudo, avalia os atributos das consultas na atenção primária. Um escore acima de 6,6 indica que os serviços atendem com qualidade. Em 2021, o escore geral obtido pelo Brasil foi 5,7, abaixo do padrão mínimo de qualidade.
No atual ano de 2022, nenhum estado atingiu um escore igual ou superior a 6,6. As unidades da federação (UFs) com os maiores escores são Mato Grosso (6,4), Distrito Federal (6,1), Santa Catarina (6,1), Rio Grande do Sul (6,0) e Paraná (6,0).
O módulo Atenção Primária à Saúde da PNAD Contínua 2022 incorporou ainda outro indicador inédito para a avaliação dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), o Net Promoter Score (NPS).
Esse escore já é usado no serviço privado e avalia não apenas a consulta médica (como o PCATool), mas para qualquer tipo de contato com uma Unidade Básica de Saúde ou Unidade de Saúde da Família.
Neste ano, 31,5 milhões de crianças menores de 13 anos (82,9% do total dessa faixa etária) utilizaram algum serviço da Atenção Primária à Saúde nos 12 meses anteriores à entrevista, o que evidencia o alcance do SUS.
Um quinto dos entrevistados (19,4%) atribuiu nota de 0 a 6 ao atendimento, indicando que o serviço prestado não foi considerado satisfatório. Em contrapartida, outros 33% deram notas 7 e 8 ao atendimento; e 47,6%, notas 9 e 10. O perfil demográfico das crianças de 13 anos que realizaram mais de uma consulta médica com o mesmo profissional nos últimos 12 meses em unidade de saúde da Atenção Primária à Saúde no SUS (4,1 milhões de crianças), mostra equilíbrio entre o sexo masculino (51,1%) e o feminino (48,9%).
A distribuição etária apresentou diferenças mais significantes: crianças com até 6 anos (61,3%) e de 7 a 12 anos (38,7%). A cor ou raça da criança informada por seu responsável foi predominantemente preta ou parda (59,7%), seguida da branca (39,4%), apresentando diferenças regionais onde o maior porcentual de crianças pretas ou pardas se concentrava nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já o de crianças brancas ficou concentrado nas Regiões Sudeste e Sul.
