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Fortaleza perde participação no PIB estadual em 2020, aponta estudo

Foto Beatriz Boblitz

Fortaleza perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará em 2020, mesmo sendo detentora da maior fatia, com 39,04%, o equivalente R$ 65,16 bilhões do total do Estado, que é de R$ 166,91 bilhões. Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira, 16.

Em 2010, o levantamento registrava uma participação de 46,64% (R$ 37,00 bilhões) e em 2019 de 41,21% (R$ 67,40 bilhões). A constatação da perda na participação do PIB de Fortaleza em relação ao Estado – o que caracteriza uma desconcentração da renda gerada no estado entre seus municípios – está no trabalho Produto Interno Bruto Municipal (Nº 06 – Dezembro/2022) – Análise dos PIB dos Municípios Cearenses 2010.

O estudo mostra, detalhadamente, o PIB – inclusive per capita – de cada um dos 184 municípios cearenses. A considerável perda 2,17 pontos percentuais no ano de 2020, comparado com o ano de 2019, é explicada por uma retração mais forte da economia de Fortaleza em relação a economia do interior, decorrente das restrições sanitárias tomadas durante a pandemia da covid-19.

Para o economista Davi Azim, a pandemia foi um período em que as pessoas tiveram que ficar reclusas e terem que assistir a maioria das atividades econômicas pararem de forma muito intensa causando desemprego, principalmente no Ceará que tem uma economia voltada para os Serviços, uma vez que nesse segmento tem que ter contatos humanos.

“Desemprego causa fome e distúrbios psicológicos. Nada pior do que ficar desempregado e enclausurado. Assim como no Brasil, o Ceará teve altos casos de pessoas com doenças psicológicas decorrente do Lockdown. Isso impacta diretamente no resultado econômico.

“É um crescimento muito forte economicamente falando, como em São Gonçalo do Amarante, com o Completo Portuário do Pecém, fazendo com que o PIB do Ceará alavancasse naquele período”, explica o economista e professor universitário, Ricardo Coimbra. São Gonçalo do Amarante teve um forte ganho de participação ao sair de uma participação de 0,26%, em 2002, para 2,44% em 2020.

A atividade econômica com o maior valor adicionado no município de Fortaleza é “Demais Serviços” seguido de “Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas” e “Administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social.”

O segundo município com maior participação é Maracanaú. Em 2002, sua participação na renda estadual era de 5,82%, passando para 5,96% em 2019 e 5,93% no ano de 2020. É uma das poucas cidades cearenses que possuem a atividade “Indústria de transformação” dentre as mais importantes para a contribuição do seu PIB.

Caucaia encerrou o ano de 2020 em terceiro lugar, com uma participação de 4,35%. “O ponto aqui a ser ressaltado é sua evolução ao longo desses 18 anos: em 2002, o município detinha uma participação de 2,91%. Pode-se também destacar o ganho de 2019 para 2020 de 0,12 ponto percentual (em 2019, sua participação era de 4,23%)”.

PIB NO INTERIOR
Juazeiro dor Norte, embora tenha perdido participação de 2019 para 2020, ao variar de uma participação de 2,98% para 2,87%, apresentou participação no PIB do Estado do Ceará próximo ao da série histórica, considerando que sua participação em 2002 era de 2,23% (ganho de apenas 0,64 p.p. ao longo de 18 anos).

Já os municípios de Sobral e São Gonçalo do Amarante detinham participação no ano de 2020 de 2,69% e 2,44% ocupando a quinta e a sexta posição, respectivamente. Embora tenham participações próximas, a evolução ao longo da série histórica deles é bem diferente. De fato, Sobral vem perdendo participação desde 2002 (3,42%) e em 2020 (2,69%).

Destaca-se a produção de energia como a atividade que gera o maior valor adicionado no município, decorrente das termelétricas Pecém I e II situadas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Em sétimo lugar no ano de 2020, com uma participação de 2,04%, o município do Aquiraz apresentou ganho de 0,43 p.p. com relação a 2019, quando registrava uma participação de 1,61%.

Com relação aos municípios com menor participação no PIB estadual em 2020, destaca-se: Granjeiro (0,03%), Pacujá (0,03%), Senador Sá (0,04%), Baixio (0,04%) e Umari (0,04%). Observando as participações dos dez municípios com menor participação no PIB do total do Estado no ano de 2020, verificou-se que estes juntos representam apenas 0,38% de tudo que é gerado no Ceará. Individualmente, estes exibem participações menores do que 0,05% no PIB do total do Estado.

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