Sendo a data com maior potencial de consumo no Ceará, com cerca de R$ 416 milhões em faturamento, segundo último levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), o Natal se torna um período inevitável para o cearense ir às compras, com o objetivo de presentear a família e os amigos.
Especialistas ouvidos pelo OPINIÃO CE alertam, no entanto, que é preciso pesquisar antes de levar algum produto ou serviço e saber o momento de parar de comprar. O motivo? Elevação de preços e endividamento das famílias.
De acordo com a última pesquisa de Endividamento do Consumidor de Fortaleza do ano, realizada para o bimestre novembro/dezembro de 2022, 73,0% dos consumidores fortalezenses, por exemplo, possuem algum tipo de dívida. O índice apresentou queda de 3,6 pontos percentuais quando comparado com o bimestre encerrado em outubro, de 76,6%, e veio abaixo do observado no mesmo período do ano passado (também de 76,6%). Mesmo com a queda, é preciso cautela, apontam.
Para o presidente da Associação Cearense de Defesa do Consumidor (Acedecon), Thiago Fujita, o consumidor neste período de Natal deve ter um cuidado todo especial ao ir às compras. Primeiramente, deve-se fazer uma lista das pessoas que vai presentear e também do orçamento que vai gastar, argumenta.
“Muito cuidado com informações de promoções. Neste momento, por exemplo, devem chegar vários spams em celulares incentivando o consumo de produtos. Entretanto, é fundamental que não haja compra por impulso, principalmente num período onde houve um aumento muito grande de valores de produtos e alimentação, e a população está extremamente endividada. Atenção redobrada e controle de despesas”, aconselha.
“SEGURAR A EMOÇÃO”
O economista Wandemberg Almeida salienta que o período de Natal pode representar uma data em que as pessoas vão agir por impulso e por emoção. “É um período de muitas emoções, fazendo que as pessoas percam o lado racional e acabem gastando a mais, ultrapassando o limite do orçamento. A dica que dou para que isso diminua é equilibrar as finanças.”
Almeida aconselha aos consumidores quitar primeiro as dívidas durante o ano de 2022, para que 2023 seja um ano mais produtivo. “Primeiro, é preciso pagar as dívidas para depois pensar em comprar presentes. Outro ponto que aconselho é fazer uma pesquisa para se negociar o melhor preço, principalmente se for à vista, uma vez que os descontos variam, nesse modelo de pagamento, entre 5% a 15%. Também é importante buscar itens do empreendedor local, com valor mais baixo, sem deixar de ter algo de qualidade”, lista.
INTENÇÕES DE PRESENTES
Seis segmentos são as principais intenções de presentes do consumidor, de acordo com a Fecomércio: Artigos de vestuário e acessórios – 67,3%; Brinquedos – 43,6%; Calçados, cintos e bolsas – 25,1%; Cosméticos e itens de perfumaria – 22,9%; Chocolates, doces e bombons – 7,1%; e Joias e relógios – 6,2% de intenção de consumo.
Na pesquisa da federação, 44,6% dos consumidores indicaram que pretendem realizar as compras em shoppings centers. As lojas de ruas (27,9%), centros comerciais (27%), comércio informal (13,3%) e supermercados e hipermercados (12,7%) aparecem em seguida. Além disso, 9,1% dos consumidores citaram realizar compras por sites e plataformas digitais.
