Nascida no dia 13 de outubro de 1962, em Boa Viagem, região da Península de Itapagipe, em Salvador, Margareth Menezes da Purificação é cantora, compositora, atriz e pioneira nos gêneros musicais do Axé, Samba-Reggae e Afropop Brasileiro. Na última terça-feira, 13, ela confirmou, durante entrevista coletiva, que foi escolhida para ser a nova ministra da Cultura do próximo governo.
Dona de uma carreira com sucesso incontestável, Margareth começou a ter um contato intenso com a música desde muito cedo, o que fez com que ela se interessasse pela cultura que pulsava nas ruas onde nasceu e cresceu, no Itapagipe. No início da década de 80, ela descobriu os palcos de outra forma, por fora do meio musical. Através do teatro, principalmente no grupo teatral do Centro Integrado de Educação Luiz Tarquínio, escola onde estudou, ela começou a explorar a própria expressividade.
A artista ficou no teatro até 1985, ajudando, inclusive, a fundar o espaço que revolucionou a cena cultural de Salvador, o Gran Circo Troca de Segredos. Durante esses anos, ela também fez parte do grupo Amoras Lá Em Casa, com o qual foi pela primeira vez a São Paulo, apresentar a peça “Colagens e Bobagens”. Em 86, passou a conciliar música e teatro e a fazer pequenas turnês no interior da Bahia. No ano seguinte, ela recebeu um convite de Djalma Oliveira para fazer uma participação no single “Faraó – Divindade do Egito”, música de Luciano Gomes e primeiro samba-reggae gravado no Brasil.
A partir de 1988, entrou de vez na carreira musical, com o seu álbum auto-intitulado. No ano de 90, a artista começou a fazer turnês internacionais nos Estados Unidos, Canadá e México, tendo, inclusive, participado da apresentação de abertura da turnê mundial Rei Momo, do grupo Talking Heads, que passou pelas Américas, Finlândia e União Soviética. Em setembro do mesmo ano, “Ellegibô”, álbum da cantora, chegou ao topo da Billboard World Albums, nos Estados Unidos, ficando por lá durante onze semanas e deixando para trás álbuns como Puzzle of Hearts, de Djavan. Além disso, a revista Rolling Stone elegeu o álbum como um dos cinco melhores da “world music”, em todo o mundo.
Ele foi base para Margareth Menezes iniciar sua primeira turnê internacional solo, apresentando-se, inicialmente, em Nova York, onde foi ovacionada pelo público e crítica, e também na França, Itália, Canadá e Bélgica.
Nos anos seguintes, os sucessos de suas produções se repetiram. Em 93 a cantora lançou “Kindala”, seu terceiro disco de estúdio. A divulgação aconteceu principalmente em Portugal, e a turnê, novamente, passou pelas Américas, Europa e, dessa vez, Japão. O álbum rendeu à Margareth indicação ao Grammy de Melhor Álbum de World Music. No final da década de 90, a artista fundou o bloco Os Mascarados no carnaval de Salvador. Foi o bloco que resgatou o uso das fantasias e a alegoria dos antigos festejos da cidade.
Já nos anos 2000, a artista criou sua própria marca, a Estrela do Mar, pela qual lançou um dos seus álbuns mais marcantes, o “Afropopbrasileiro”, que contou com produção de Carlinhos Brown e Alê Siqueira. O disco contém a faixa” Dandalunda”, uma das principais músicas da carreira de Margareth, que foi composta por Brown e considerada a melhor música do carnaval de 2003, rendendo à cantora um Troféu Dodô e Osmar de Melhor Música e de Melhor Cantora do Carnaval Baiano. Ainda no início do século, foi publicado o livro “Brazilian Popular Music & Globalization”. Nele, os autores Charles Perrone e Christopher Dunn indicam que ela foi responsável pelo marketing internacional do estilo afro-baiano que, segundo outros autores, foi inovado pela cantora através da introdução de instrumentos africanos antes não utilizados.
Nos anos seguintes da primeira década do século, ela participou de produções e compôs ao lado de grande nomes da música brasileira, como Alcione, Marisa Monte e Saul Barbosa, trabalho que originou o cd Brasileira, que rendeu à cantora indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum Brasileiro de Pop. Já recentemente, a artista lançou o álbum autoral “Autêntica”, que rendeu indicação ao Grammy Latino 2020 na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.
Ao todo, a artista conquistou dois troféus Caymmi, dois troféus Imprensa, quatro troféus Dodô e Osmar, e quatro indicações para o Grammy Awards e Grammy Latino. Agora, a cantora tem a missão de chefiar o Ministério da Cultura, pasta que foi extinta durante o governo Bolsonaro, a partir do ano que vem. O cargo também foi oferecido para o rapper Emicida e para a atriz Marieta Severo, que recusaram a oferta. Entre os anos de 2003 e 2008, o comando do ministério foi do cantor Gilberto Gil.
