De acordo com dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), no seu monitoramento do calendário de chuvas, as precipitações em dezembro de 2022 são mais volumosas que no ano passado. No entanto, em 2021 choveu em mais municípios cearenses que este ano, até o momento.
Segundo a Funceme, no início de dezembro do ano passado, foram registradas precipitações em mais de 137 cidade. Na primeira semana deste mês, as chuvas foram superiores em relação ao ano passado. O último dia 1° foi o que registrou o maior volume de chuvas, com precipitações nas cidades de Santana do Acaraú e Pacujá de 95.4mm e 95.2mm, respectivamente.
O dia seguinte foi o de maior número de chuvas, sendo registradas em 113 dos 184 municípios cearenses. Conforme o Portal Hidrológico do Ceará, o aporte hídrico dos 157 açudes monitorados pelo Estado atingiu a melhor marca dos últimos dez anos, em novembro de 2022. Foi registrado um total de 33,1% de água acumulada, marca que foi superada apenas em novembro de 2012.
Segundo Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos, o volume acumulado no ano de 2022 pode se refletir de forma positiva em cenários futuros. “Os grandes açudes, como Castanhão e Óros, que estão com aporte satisfatório, em conjunto com um aporte considerável e uma quadra chuvosa regular, pode fazer com que o nível dos açudes chegue a 50% ao final da quadra chuvosa de 2023, mas ainda é muito cedo para fazer uma previsão precisa”, diz, ao explicar a possibilidade de uma situação confortável para os açudes cearenses ao final de junho do próximo ano, mês que marca o final da estação e quando os açudes chegam sempre ao seu melhor momento.
BAIXO JAGUARIBE
Atualmente, com 76,36% de aporte, o Baixo Jaguaribe é a região com maior aporte hídrico. Em compensação, a Bacia do Banabuiú se encontra em situação crítica, com apenas cerca de 10% de ocupação em sua capacidade total, conforme os dados oficiais mais atuais.
A análise de aportes dos açudes é feita pelo Sistema de Recursos Hídricos do Ceará (SRH/CE) e os classifica de acordo com os seguintes percentuais: reservatórios abaixo de 10% são considerados de situação muito crítica; abaixo de 30% são de situação crítica; e acima de 50% são avaliados como “confortáveis.”
De maneira geral, o ano de 2022 apresentou boas recargas no Sul do Ceará; nas Bacias do Alto Jaguaribe, onde o açude Orós chegou a 50% de recarga; na Bacia do Salgado, que gera aportes para o açude Castanhão; e especialmente na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde os reservatórios chegaram a 100%.
Deste modo, o ano de 2023 se inicia com o objetivo de aportar mais água para continuar garantindo o abastecimento hídrico do Ceará. Em anos anteriores, a necessidade era primeiramente recuperar os reservatórios secos para depois começar os aportes consideráveis.
O secretário Teixeira explica que, apesar dos bons índices, o Ceará apresenta uma irregularidade pluviométrica e aportes de açudes indefinidos. Por isto, argumenta, é de extrema importância que o uso da água aconteça de maneira racional. “Podemos ter anos com chuvas muito boas e bons aportes, assim como podemos ter anos com chuvas abaixo da média e de até uma década, como aconteceu recentemente, entre 2012 e 2018, 2019. Portanto, é preciso o uso racional da água para que tenhamos sempre alguma segurança”, conclui.
