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Bolsonaristas promovem noite de terror em Brasília com veículos incendiados

Por volta das 19h30 desta última segunda-feira, 12, bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF), localizada no Setor Hoteleiro Norte (SHN), no Plano Piloto, em Brasília. Segundo os envolvidos, todos vestidos de verde e amarelo ou com algum acessório sinalizando as cores da bandeira do Brasil, a ação foi motivada pela prisão de um indígena ocorrida também ontem.

Na via lateral ao prédio da PF, bolsonaristas, que gritavam pedindo que o presidente Jair Bolsonaro (PL) decretasse um estado de sítio e criticavam o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), atearam fogo contra pelo menos dois ônibus e cinco veículos de passeio, apurou o OPINIÃO CE com policiais federais no local. Houve ainda, por iniciativa dos participantes, o bloqueio dessa e de outra via, pelo menos, e a tentativa de derrubada de um ônibus que trafegava em um viaduto.

Bombeiros, que tiveram um de seus carros atacados com pedras pelos manifestantes, apagaram o incêndio sobre os veículos. Do outro lado do Eixo Monumental, uma operação conjunta bloqueou os acessos de onde está hospedado o presidente eleito Lula (PT), na Asa Sul. A ação é do Comando de Operações Táticas da PF e da tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A movimentação criminosa, que foi disperçada por policiais federais com bombas de efeito moral e gás de pimenta, reduziu-se em torno das 23 horas. Viaturas e helicópteros participaram da ronda.

“Ministro Alexandre de Moraes, o senhor pediu guerra, então, nós vamos dar guerra” e “Venham para a rua, protestar junto com a gente por um país livre” foram algumas das frases ditas por bolsonaristas em vídeos gravados no local e publicados nas redes sociais. Até o fechamento deste conteúdo, não havia boletim oficial da PF sobre o ocorrido. Também até o fechamento deste conteúdo, estava prevista uma coletiva do recém-anunciado ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), e do chefe da Segurança de Lula, Andrei Rodrigues, no Centro Cultural do Banco do Brasil (BB), sede do governo de transição.

O ato golpista ocorreu no mesmo dia em que Lula e Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente eleito, foram diplomados no TSE, à tarde. Ambos tomam posse no próximo dia 1º, em cerimônia a ser realizada no Congresso Nacional e que se estende para o Palácio do Planalto, onde tradicionalmente acontece a troca de faixa de quem vai passar a ser ex-presidente para o presidente eleito no pleito automaticamente anterior.

Até o momento, Bolsonaro, desde o resultado do segundo turno, não reconheceu diretamente sua derrota. Ainda não se sabe se o também ex-deputado federal irá passar a faixa presidencial a Lula.
“Inaceitáveis a depredação e a tentativa de invasão do prédio da Polícia Federal em Brasília. Ordens judiciais devem ser cumpridas pela Polícia Federal. Os que se considerarem prejudicados devem oferecer os recursos cabíveis, jamais praticar violência política”, publicou nas redes sociais Flávio Dino, senador eleito e ex-governador do Maranhão.

PRISÃO PEDIDA PELA PGR

O tumulto foi iniciado depois que Alexandre de Moraes determinou a prisão temporária do indígena José Acácio Serere Xavante, apoiador de Bolsonaro. A prisão foi decretada a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), cujo chefe é Augusto Aras, por indícios de crimes de ameaça, perseguição e manifestações antidemocráticas em vários pontos de Brasília.

Os atos ocorreram, de acordo com a PF, em frente ao Congresso, ao Aeroporto Internacional, em shoppings, na Esplanada dos Ministérios e em frente ao hotel onde Lula e Alckmin estão hospedados.

Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que o tumulto começou após a prisão de um líder indígena. “Índios tentam invadir o prédio da PF na Asa Norte”, destaca o comunicado.” O STF, em nota via Twitter, afirmou que o ministro atendeu a um pedido da PGR e “decretou a prisão temporária, pelo prazo de dez dias, do indígena José Acácio Serere Xavante, por indícios da prática de crimes em atos antidemocráticos.”

“Segundo a PGR, Serere Xavante vem se utilizando da sua posição de cacique para arregimentar indígenas e não indígenas para cometer crimes, mediante ameaça de agressão e perseguição do presidente eleito (Lula) e de ministros do STF. A prisão se fundamentou na necessidade de garantia da ordem pública, diante da suposta prática dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do estado democrático de direito.”

*Com Kelly Hekally, diretamente de Brasília.

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