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Preços dos combustíveis devem voltar a subir em janeiro, dizem economistas

Foto: Beatriz Boblitz

Começou a valer na última quarta-feira, 7, a redução nos preços da gasolina e do diesel vendidos pela Petrobras a distribuidoras. A gasolina saiu de R$ 3,28 para R$ 3,08 por litro, queda de 6,1%. Já o diesel passou de R$ 4,89 para R$ 4,49 por litro, ou 8,2% menor.

Apesar da redução no preço acontecer também para o consumidor final, a política de “congelamento de preços” estimulada pelo governo Bolsonaro nos últimos meses tem data de validade. É o que consideram economistas ouvidos pelo OPINIÃO CE.

A redução dos preços feita pela Petrobras para distribuidoras neste momento se deve a uma tendência de queda no preço do petróleo internacional em dólar, chamada de política de Preço de Paridade Internacional (PPI). Nos primeiros meses de 2023, os preços subirão novamente na avaliação do professor e economista Fábio Sobral.

“Daqui a pouco, haverá um aumento dos combustíveis, e os preços subirão novamente. Na minha avaliação, o próximo governo deveria eliminar a política de PPI porque a maior parte dos combustíveis são produzidos aqui, em reais. Então, não faz sentido que o barril seja vendido em dólar”, considera. Quem paga por isso, ainda de acordo com Sobral, é a população brasileira, mesmo a parcela que não tem carro, uma vez que há deslocamento por transporte público e consomem mercadorias transportadas por veículos movidos por combustível. “Não faz sentido a população brasileira ganhar em reais pagar os combustíveis em dólar”, acrescenta o docente.

Considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor será, em média, R$ 2,25 a cada litro vendido na bomba, informou a estatal. Conforme apurado pela reportagem, o preço da gasolina no Ceará deve reduzir em cerca de R$ 0,15 nesta semana quando o valor do produto nas distribuidoras será reduzido em 6,1%.

SINDIPOSTOS

Segundo o Sindicato dos Postos de Combustíveis do Ceará (Sindipostos), em nota, os estabelecimentos com estoque zerado vão adquirir o produto com novo preço, mais barato. Os demais postos devem reduzir o preço conforme zeraram o estoque. A gasolina não era reajustada desde o dia 2 de setembro, quando a estatal anunciou redução de 7,08%. A última queda no preço do diesel, por sua vez, ocorreu em 20 de setembro, com redução de R$ 0,30.

Segundo a Petrobas, “essas reduções acompanham a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio.”

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, é categórico. “A redução da alíquota do ICMS só vale até o final deste ano. A partir do ano que vem, volta a normalidade dessa tributação ou um novo acordo entre governadores e Senado Federal.”

Este especialista acredita que, provavelmente, em 2023, haverá uma reforma tributária ampla, discutindo não só os tributos dos combustíveis, mas em todas as áreas. “Esse deve ser o principal direcionamento do governo eleito Lula”, defende o conselheiro.

O último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre 27 de novembro e 3 de dezembro, afirma que o consumidor pagou uma média de R$ 5,03 no litro de gasolina e R$ 6,55 no litro de diesel. Foi a segunda semana seguida de uma quase estabilidade da gasolina, após seis de alta, que levaram o combustível novamente para o patamar acima dos R$ 5.

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