A menos de um mês para Gardel Rolim (PDT) deixar o posto de líder de José Sarto (PDT) na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR), diálogos acerca de seu substituto correm de maneira velada. De acordo com o vereador, a decisão cabe ao prefeito José Sarto (PDT) e ainda é motivo de incerteza. Questionado sobre os nomes cotados para substituí-lo, o futuro presidente da Casa disse que não saberia responder. O prefeito, entretanto, conta com o recesso do local, em janeiro, a seu favor, a fim de ter mais tempo para a escolha.
Na contramão, o atual vice-líder, Professor Enilson (Cidadania), se coloca como nome aceito entre os colegas parlamentares, apesar de ainda aguardar a deliberação do prefeito sobre quem irá ocupar o posto. “Entre os colegas, sou tido como o líder, mas é uma decisão que cabe ao prefeito.”
Professor Enilson, que se diz aberto a ocupar o cargo, aponta o atual quadro de lideranças do governo na CMFOR, que pode alçá-lo à sucessão de Rolim. Atualmente, também estão na vice-presidência os vereadores Leo Couto (PSB) e Luciano Girão (PP).
Leo Couto protagonizou um racha com o governo Sarto nas eleições de 2022, ao sair em defesa do nome de Elmano de Freitas (PT) para o Governo do Estado. Luciano Girão irá ocupar espaço na Mesa Diretora da Câmara, no próximo biênio. Para Enilson, esse arranjo deixa-o esperançoso de ocupar a liderança.
O vereador afirma que esteve em reunião com Sarto no último dia 6, para tratar de matérias polêmicas que estão em votação na CMFOR, como a tarifa do lixo. Ao lado de Gardel, Enilson tem a missão de enfrentar a resistência dos colegas parlamentares e aprovar o projeto na Casa. A matéria tem oposição até de vereadores da base aliada, como o líder do PDT na Câmara, vereador Júlio Brizzi. Um tema caro para o governo Sarto, ao mesmo tempo que impopular entre os eleitores, a discussão sobre a tarifação do lixo pode se tornar uma vitrine para os vereadores que almejam a liderança na Casa.
Enilson acrescenta que passar o projeto não se trata apenas da disputa pelo posto, mas de seu compromisso na vice-liderança. “É meu papel aprovar os projetos do Governo”, destacou. O vereador argumenta que assumiu a liderança durante um mês, quando Gardel esteve dedicado à campanha para a presidência da CMFOR. Ao OPINIÃO CE, o atual presidente da Casa, vereador Antônio Henrique (PDT) – que deixa a Casa por ter sido eleito deputado estadual – apontou que tem sido questionado por vereadores sobre o tema, mas não sugere possíveis nomes. “O governo que vai fazer a escolha, e até agora não indicou nome ainda. É inclusive uma coisa que os vereadores estão me perguntando.”
Em todas as casas parlamentares, sejam municipais, estaduais ou federais, existem as figuras dos líderes, parlamentares que concentram a missão de, a depender de quem representam, segurar ou avançar na negociação de pautas relevantes.
Pela lógica, o líder de um governo articula para os interesses da gestão, ou situação, ao passo em que o líder de uma oposição age na direção contrária, de maneira geral.
ELEIÇÃO DA CMFOR
Após um arranjo que vem sendo costurada há semanas, a CMFOR elegeu no último dia 1º sua nova Mesa Diretora. A chapa única, encabeçada por Gardel Rolim, na Presidência, foi eleita por unanimidade na sessão que contou com a presença de todos os 43 vereadores da Casa. Com o pedetista no cargo mais importante da Câmara, a nova composição da diretoria do Parlamento da Capital, que assume em 1º de janeiro de 2023, é formada por Paulo Martins (PDT) como primeiro vice-presidente e Renan Colares (PDT) e Claudia Gomes (PSDB) como segundo e terceiro vices, respectivamente.
Entre os secretários que compuseram a chapa única estão Bruno Mesquita (Pros), Fábio Rubens (PSB) e Katia Rodrigues (Cidadania). Ana Aracapé (PL), Estrela Barros (Rede), além de Girão, são os suplentes.
Rolim teve o favoritismo do partido, passando nomes como o atual vice-presidente da Casa, vereador Adail Júnior (PDT), que ficou fora da composição da Mesa Diretora pela primeira vez em 12 anos.
Paulo Martins e Renan Colares também tinham colocado seus nomes para o cargo principal, mas acabaram retirando seguindo o apoio do quadro de vereadores em Rolim.
BASTIDORES DO PLEITO
Apesar da votação ter ocorrido sem nenhuma dissidência, nos bastidores, o processo enfrentou conflitos. O vereador Leo Couto (PSB) também se lançou para disputar a sucessão de Antônio Henrique, mas retirou a candidatura após conversa com o senador e principal liderança pedetista no Ceará, Cid Gomes. A saída de Couto, contudo, esteve sob acusações de interferências de Sarto.
