Se você mora no Interior, sabe que as pequenas cidades são grandes em afeto e que vivem cada período do calendário festivo com intensidade. É que há muitas tradições no Interior que se misturam à rotina das cidades e, muitas vezes, de tão comuns, parecem se incorporar ao cotidiano.
No Natal, as luzes iluminam as praças. É o primeiro sinal de que a temporada de festas começou. Grupos artísticos se apresentam, corais entoam cânticos natalinos. Atores encenam os Autos de Natal. O comércio se ilumina e a figura do Papai Noel se replica pelas cidades. As casas são enfeitadas. Árvores de todas as formas, algumas ressaltando a cultura regional ganham bolas de renda, enfeites de madeira, adornos de fuxico e crochê.
Os pequenos altares – comuns nas casas de interior – destacam a imagem do presépio com José, Maria e Jesus, o Deus menino, o dono da festa. É momento de celebrar, de confraternizar. É também período de “voltar pra casa”. Aqueles que moram distante retornam para o Natal em família. É tradição. As casas ficam cheias, ganham vida…
Quartos são abertos, roupas de cama trocadas. Na cozinha, o velho livro de receitas sai da gaveta. É tempero de mãe, de vó… os pratos de família enchem as casas de aromas cheios de memórias. Ah o Natal… Que época linda! Os cenários que descrevi aqui talvez se repliquem nas grandes cidades. Certamente. Mas o Interior tem um charme meio inexplicável. Talvez seja pela simplicidade somada a lugares que parecem ainda resistir ao tempo.
É como viajar para dentro de si. São portos seguros, para onde sempre podemos voltar.
