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Preço do combustível de avião quase dobrou no país em 2022

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O preço do querosene de aviação (QAV) segue em alta acumulada em 49,6% entre 1º de janeiro e 1º de dezembro, segundo dados da Petrobras. Na bomba, o Brasil tem um preço 32,3% mais caro do que nos Estados Unidos. Os dados são do último levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Também de acordo com a pesquisa, só o QAV responde por cerca de 40% dos custos de uma companhia aérea e, além disso, o combustível é precificado como se fosse importado, sendo que mais de 90% desse insumo é produzido no país.

A associação afirma, ainda, que os preços do combustível da aviação cobrados pelas refinarias nacionais são 5,1% superiores do que no país norte-americano, o maior mercado doméstico do mundo e referência mundial no setor de aviação. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP), Environmental Impact Assessment (EIA – entidade da Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea), e Bureau of Transportation Statistics (BTS).

De acordo com o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, os dados mostram a pressão dos custos estruturais enfrentada diariamente pelas companhias aéreas brasileiras. “Defendemos a revisão da política de precificação do QAV para que possamos retomar o crescimento da aviação comercial brasileira e seguirmos competitivos nos mercados doméstico e internacional. Apesar da alta dos custos estruturais, as associadas da instituição comprovam sua resiliência e eficiência ao ampliarem em 12,6% a malha aérea de voos domésticos para a alta temporada de 2022/2023.”

LOGO APÓS AS ELEIÇÕES 2022
Logo após o segundo turno das eleições deste ano, o combustível sofreu os efeitos e sofreu aumento de 7,27%, em 1º de novembro, de acordo com os cálculos da associação. Diferentemente do alarde sobre cortes no preço nos últimos meses, o novo reajuste não foi divulgado pela Petrobras na época. No entanto, no dia 1º deste mês, a companhia reduziu o preço do querosene de aviação para as distribuidoras.

A redução média foi de 5,8%, segundo a assessoria de imprensa da estatal. A cotação do combustível foi reduzida em 5,79% em Paulínia (SP), 5,83% em Duque de Caxias (RJ) e 5,72% em Betim (MG).A empresa não informou uma cotação média do produto no país.

Raul Santos, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE), explica ao OPINIÃO CE que o impacto financeiro para as empresas aéreas é grande porque o custo médio do querosene de aviação no Brasil é bastante superior, por exemplo, do que o custo médio do QAV na Europa e nos EUA.

“Por causa disso, o esforço financeiro das empresas precisa tomar recursos de terceiros, não só absorvendo esse custo como financiar esse ‘over price’ traz dificuldade para as aéreas. Já para o consumidor final, as passagens aéreas para voos nacionais são muito mais caras do que deveriam ser. A nossa aviação tornou-se cara”, pontuou.

Para o economista, o preço ideal para o querosene de aviação deveria ser até 25% do custo total na matriz de custo de uma empresa aérea. No Brasil, esse valor bate 50% ou talvez até mais. “Para os próximos meses, a tendência é que ele permaneça num patamar alto de preços, todavia não deve subir tanto quanto subiu em 2022”, projeta.

DISTRIBUIÇÃO
A Petrobras comercializa o QAV produzido em suas refinarias ou importado apenas para as distribuidoras. Estas transportam e comercializam os produtos para as empresas de transporte aéreo e outros consumidores finais nos aeroportos ou para os revendedores.

Distribuidoras e revendedores são os responsáveis pelas instalações nos aeroportos e pelos serviços de abastecimento. O QAV é utilizado em grandes aeronaves e representa um dos principais componentes do preço final das passagens aéreas.

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