De acordo com os mais atuais dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Fortaleza, entre janeiro e outubro deste ano, a vacina contra a meningite teve cobertura de 75% na Capital cearense. Em comparação com 2021, houve aumento de 1,25% na taxa de vacinação. Em 2020, a Capital alcançou uma cobertura de 100% das duas doses da Meningocócica C em crianças.
Informações também da SMS apontam que, neste ano, foram registrados três casos de meningite na Cidade. Entre eles, os tipos meningococemia, meningite meningocócica e meningococemia+meningocócica foram identificados. Em 2021, foram diagnosticados quatro casos da doença. A vacina contra a doença faz parte do calendário de imunização preconizado pelo Ministério da Saúde. A primeira dose deve ser aplicada aos três meses de vida, a segunda dose aos cinco meses e o reforço aos 12 meses.
Vanessa Soldatelli, coordenadora de imunização da pasta, explica que em todo o Brasil, e também no mundo, existem surtos de meningite. A doença acomete principalmente adolescentes e adultos jovens, podendo evoluir de forma muito rápida, levando a óbito em 24 horas.
“Por conta da gravidade, muitas capitais do Brasil já disponibilizaram a vacina para toda a população. Além da vacina contra a meningite tipo C para as crianças, também temos a BCG, a pentavalente e a pneumocócica. Para adolescentes entre 11 a 14 anos, é disponibilizada a vacina contra todos os tipos da doença.”
DOENÇA NO CEARÁ
No Ceará, este ano, dados da Secretaria de Saúde (Sesa) do Ceará indicam que foram registrados quatro casos da meningocócica até o momento. Não foram confirmados casos dos outros tipos de meningite no Estado. No ano passado, foram atestadas nove ocorrências da doença em território cearense; duas da meningococemia, seis da meningocócica e uma das duas juntas.
Dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde apontam que, em setembro deste ano, foram aplicadas 25.744 doses do imunizante contra a meningocócica C. Contra a meningocócica ACYW135, foram 8.537 vacinas aplicadas. O número é menor do que em agosto, quando foram disponibilizadas 26.103 doses para o tipo C e 11.592 para a ACYW135.
De acordo com Lisandra Damasceno, presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI), a diminuição na taxa de vacinação contra a meningite observada em Fortaleza pode ser explicada principalmente pela desinformação e pelas fake news direcionadas às vacinas. “Desde antes da pandemia já vínhamos observando uma diminuição nessas taxas. Isso é muito por conta do surgimentos de grupos anti vacinas, que levam os pais a questionarem a eficácia e a validez da vacinação.”
A médica também aponta que, nos últimos três anos, houve uma degradação do Programa Nacional de Imunização (PNI), o que diminuiu a eficácia da atuação dos órgãos de saúde no que tange à cobertura vacinal, visto que a vacinação está sendo sucateada no país.
