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Pobreza ou extrema pobreza atingem 1,1 milhão de cearenses na pandemia, diz IBGE

Foto: Natinho Rodrigues

Cerca de 1,1 milhão de cearenses se tornaram pobres ou extremamente pobres em um intervalo de um ano, entre 2020 e 2021, primeiros anos da pandemia de covid-19, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na última sexta-feira, 2. Conforme o estudo, houve aumento de cerca de 537 mil pessoas extremamente pobres e de 596 mil pessoas pobres no período.

No geral, o Ceará ficou em sétimo do ranking nacional, com 15,1% da população na situação de extrema pobreza. Segundo o IBGE, em 2021, no Ceará, havia 1,4 milhão de pessoas vivendo na extrema pobreza e 4,3 milhões vivendo em situação de pobreza, números já superiores ao observado no período pré-pandemia (2019). Além disso, o estudo também aponta que mais da metade das pessoas ocupadas no Ceará estão em atividades informais, sem carteira assinada.

Brasil

A análise leva em consideração as linhas de pobreza propostas pelo Banco Mundial. De acordo com o estudo, cerca de 62,5 milhões de pessoas (ou 29,4% da população do País) estavam na pobreza. Entre estas, 17,9 milhões (ou 8,4% da população) estavam na extrema pobreza. Segundo o IBGE, estes foram os maiores números e os maiores percentuais de ambos os grupos, desde o início da série histórica, em 2012.

Além disso, entre 2020 e 2021 houve aumento recorde nestes dois grupos: o contingente abaixo da linha de pobreza cresceu 22,7% (ou mais 11,6 milhões de pessoas) e o das pessoas na extrema pobreza aumentou 48,2% (ou mais 5,8 milhões). O Banco Mundial adota como linha de pobreza os rendimentos per capita US$ 5,50 PPC, equivalentes a R$ 486 mensais per capita. Já a linha de extrema pobreza é de US$ 1,90 PPC, ou R$ 168 mensais per capita.

Outros dados de destaque:

  • Em 2021, a proporção de crianças menores de 14 anos de idade abaixo da linha de pobreza chegou a 46,2%, o maior percentual da série. A proporção tinha caído ao seu menor nível (38,6%) em 2020, mas teve alta recorde.
  • A proporção de pretos e pardos abaixo da linha de pobreza (37,7%) é praticamente o dobro da proporção de brancos (18,6%). O percentual de jovens de 15 a 29 anos pobres (33,2%) é o triplo dos idosos (10,4%).
  • Em 2021, cerca de 62,8% das pessoas que vivíam em domicílios chefiados por mulheres sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos estavam abaixo da linha de pobreza.
  • No recorte regional, Nordeste (48,7%) e Norte (44,9%) tinham as maiores proporções de pessoas pobres na sua população. No Sudeste e também no Centro-Oeste, 20,6% (ou um em cada cinco habitantes) estavam abaixo da linha de pobreza. O menor percentual foi registrado no Sul: 14,2%.

Índice de desigualdade cresce

Em 2021, o Índice de Gini, que mede o nível de desigualdade do País, aumentou e atingiu o patamar de 2019, o segundo maior da série, indo a 0,544 – o maior foi em 2018 (0,545). Considerando o início da série, em 2012, essa taxa reduziu até 2015 e cresceu até 2018. Dado os efeitos da distribuição dos programas emergências de transferência de renda por conta da pandemia da covid-19, o índice havia caído em 2020. Em termos regionais, em 2021, a região Nordeste possuía o Gini mais elevado (0,556) e a região Sul, o menor (0,462). Já entre os estados, o índice foi de 0,424 em Santa Catarina enquanto em Roraima atingiu 0,596, uma diferença de 40,6%.

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