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Um ano de conquistas religiosas importantes no Cariri

Nesta semana, foi dada a largada oficial no processo de beatificação do Padre Cícero. Uma celebração religiosa seguida da sessão pública de abertura da causa, apresentou os membros do tribunal constituído para o acompanhamento da primeira etapa do processo, onde são criadas comissões que reunirão provas documentais e testemunhais da vida e virtudes heroicas do padre.

Há uma série de passos a serem cumpridos. As exigências do Vaticano são grandes. Trata-se de um processo longo e minucioso. Entre os romeiros, há um misto de expectativa e comemoração. Expectativa pelo reconhecimento oficial da igreja da força religiosa do homem que lidera um exército de fiéis que exalam fé e devoção. A comemoração reflete a “coroação” de uma certeza que já habita o coração e a mente dos romeiros. Eles não têm dúvidas sobre a santidade do Padim.

Os caririenses encerram 2022 com marcos religiosos importantes. Além do início do processo de beatificação do Padre Cícero, a menina Benigna, de Santana do Cariri, foi declarada Beata pela Santa Sé. Os dois fatos são históricos e representativos. Para além da questão religiosa, eles mexem com outros aspectos importantes. Tanto Benigna quanto Padre Cícero tiveram suas “santidades” envoltas em situações complexas. A Menina foi vítima de violência. Morreu após reagir a uma tentativa de estupro e, por isso, ganhou o título de Mártir da Pureza.

Padre Cícero teve grande legado social e político e morreu afastado da Igreja devido a polêmica em torno do milagre da hóstia que virou sangue na boca da Beata Maria de Araújo.

Os movimentos de reconhecimento dos dois, tanto tempo depois de suas mortes, mostra que a história de cada um deles se sustentou como símbolo de devoção. Ambos arrastam multidões e mobilizam testemunhos de milagres. Não é necessária a oficialização da Igreja para que os movimentos religiosos do Cariri continuem crescendo. Mas há sempre uma sensação de justiça, quando a história pode ser reescrita reparando erros do passado.

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